terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Sobre a liberdade;


Meu avô sempre disse que ser livre é saber arcar com as próprias conseqüências, que ser maduro é ser capaz de compreender e colher, no final do dia, aquilo que semeamos quando o sol se pôs a nascer. E mesmo que ele fosse cristão – e ele não tinha razão em muitas coisas pra mim, isso eu jamais esqueci.

Semana passada fiz algo que sempre tive vontade. Na verdade nunca desejei exatamente isso, mas a sensação de fazê-lo – e aquilo que me proporcionou sentir – era algo que esperei por muito tempo. Algo que, acredito, continuo ainda a desejar, pois o dia que não querer mais ser livre, prefiro que os Deuses deitem meus olhos para essa vida.

Uma vontade louca de sentir o mar, o sal, pisar na areia branca, ouvir o bater infinito das ondas, sentir o vento roçar no meu rosto... sumir. Peguei minha mochila, coloquei algumas roupas e um pouco de comida, e finalmente fui. Fui buscar aquilo que tinha vontade, fui buscar sentir o mar de novo. O mar. Que saudade.

Não conhecer a cidade, não saber onde dormir ou onde ficar não foi empecilho algum. Pois quando o homem busca algo, deve encontrá-lo, independente de quantas vão ser as curvas do seu caminho ou as pedras a bater nos seus pés.

Naturalmente, foi maravilhoso. Sobre a liberdade, descobri que é algo muito mais complexo do que se ajoelhar na areia e sentir o gosto do vento. Que falar coisas bonitas, que usar metáforas ou se banhar de eufemismo quando se quer, é simplesmente, largar tudo pra cima e desaparecer.

Os pássaros não são livres porque voam, mas porque certa vez, saíram do ninho e aprenderam que um dia vão cair. Muitas vezes.

E lógico, ser livre é agüentar, por alguns dias, uma queimadura nas costas por não ter passado protetor solar – ou por ter, no dia anterior a viagem, ter usado o fogo dentro de um Círculo pedindo que fizesse sol no fim de semana. O pior é que fez. Bastante. Minhas costas vermelhas que o digam. 


Detalhe de Diana e Endimião (Gerard de Lairesse, 1680). 

6 comentários:

Lorena A. disse...

lembro de uma escolha que fiz de ir à praia de Jericoacoara. Já havia ido algumas vezes antes, mas não seria como dessa vez. Lá, passando quase dois meses, pude me resgatar de um embargo pessoal, deixar de ser uma náufraga, e não morrer na praia. Pelo contrário, renasci, junto com aquele sol que saía do fundo do horizonte, despontando comigo toda a liberdade do mundo.

Vale a pena.

(seu blog também é fantástico).


Beijos.

Lorena A. disse...

Adicionar-te-ei ao meu singelo blog. abraços.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Todos nós somos prisioneiros, também os pássaros. O mundo é feito de armadilhas e tantos os passos como os voos sofrem quedas e interrupções.
Porém nada como o mar para nos fazer sentir libertos, para curar feridas e stresses e nos trazer a dimensão da vida.Uma vida que pulsa e vale a pena quando conseguimos dosear sabiamente a nossa loucura na procura da descoberta e do imprevisto.
Que valem umas queimaduras nas costas perante tanto desafio?


Abraço

Lipe disse...

É... eu tinha planos disso, mas alguém precisa manter essa cidade funcionando! Ah tri!

Tô brincado! Tô com inveginha branca, mas não por muito tempo, daqui um ano tu vai me ligar e eu vou dizer:
- Bah gurí, nem sabe..... Sabe Nepal? Então..

Já abrí a poupança pra juntar os louros pra viagem haha!

Quer ir junto? =D


Isso é, se tu ainda não tiver sumido do páis, eta pessoinha dificil de encontrar hein!

Última postagem 10 de fevereiro, ainda há esperanças! hahuauha

Saudade de ti!
Ta fazendo falta ombro amigo confiável poraqui... tenho uns bafões pra te contá....


Bom, aguardo noticias e uma saída hein!

Bjão mano, te cuida

=@

Lipe disse...

aliás..escreví um texto esses dias..

to me inspirando pra fazer um blog pra ele e pras respostas que obtive... te mandei por e-mail.. se puder, da uma conferida..

chama-se "Um Sentido"

Adaís disse...

oi.... será q tem como vc me add no msn? eu sei lah... tava lendo seu blog q por acaso encontrei (e soh li 2 partezinhas) mas deu vontade de te add.. pode? bom.. princetongirl310@hotmail.com