segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Sobre (um) amor.



Não acredito que exista um amor para a vida toda. Não para a minha, pelo menos. Acredito que possamos ter muitos amores da vida, e é esse o momento em que eu conheci UM e não O amor da minha vida.

Pode ser que o tempo seja pouco demais, pode ser que tudo isso se desfaça como a fumaça de um incenso no vento daqui a alguns anos. Mas eu tenho aprendido – e agradecido aos meus deuses por isso – que amar é algo um pouco mais complexo do que o filho de uma deusa virgem poderia pensar.

Obrigado por me acordar de manhã com um calor excitado, e por deixar ser acordado pelo meu calor excitado. Obrigado por cozinhar pra mim, por cantar e dançar comigo e para mim. Obrigado pelo primeiro sorriso ao descer do ônibus, depois de ter enfrentado horas de viagem. Obrigado por me contar os seus segredos, obrigado por ouvir os meus. Obrigado por ouvir o que as cartas disseram, obrigado pelas luzes das velas e dos incensos. Obrigado pela pizza, pelo sono, pela chuva de manhã, por ter colocado o sinto de segurança no meio do temporal. Obrigado pela xícara e pelo chocolate com licor que tu não gostou. Obrigado pelas horas e horas de sexo, uma mais prazerosa que a outra, pela água quente do chuveiro, pelo travesseiro, pela porta fechada, por tudo. Obrigado pelos pastéis, por não gostar nem do vinho nem do gosto de álcool da minha boca. Obrigado por ser meu amigo, obrigado por acreditar nos mesmos deuses que eu. Obrigado pelo abraço de despedida no final de tudo isso. E por também entender que nada disso vai ser apagado...

...como um incenso ao vento.

"(...)o puro Adônis canta tua divindade;

venha, toda atrativa, para a minha prece inclinada,
a Ti eu chamo, com mente sagrada e reverente."
(Hino Órfico à Vênus)

Detalhe de O Nascimento de Vênus (Bouguereau). 

11 comentários:

Gwyddyon disse...

fico feliz que, enfim, vc esteja aprendendo a amar.

Adieu Odir.

FBR disse...

Entender um amor seria entender todo o mistério da nossa existencia!!

Vagner disse...

Que bom ler essas palavras ,me deixa muito feliz

Márcio Vandré disse...

Interessante essa sua visão.
Muitos querem o amor, sendo que, inevitavelmente, temos vários na vida.
Só que muitas vezes não aproveitamos o que aquela pessoa que nos aperta as mãos pode dar. E o tempo passa.
E você esquece. Se torna austero.
Velho.
E morre.
Sem descobrir o segredo do que é amar.

Estou retribuindo a visita.
Um belo texto.
O seguirei.

Abraço.

Daniel Braga disse...

Que lindo isso, Odir!
E feliz daquele que tem algo para sentir saudade.

Guinevere disse...

Obrigado pela visita, seu Blog é ótimo.

Bênçãos Plenas!
)O(

Rafael Nolêto disse...

Só de ler esse texto já sinto o gostinho da paixão! Emocionante!

Dinha disse...

O Hino a Afrodite foi a cereja em cima do bolo! Que sensível! Gostei bastante! Vou te listar para te visitar sempre!

Beijos

Marcella disse...

Como diria Florbela Espanca
"Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!"

Não tenho atualizado porque me falta sofrimento por esses dias, e ainda não aprendi a escrever felicidades...

Mas vou aprender...

Thiago disse...

Amor e paixão, quando agente é bem novinho não consegue diferenciar um do outro. Esses sentimentos são como vinho, gostosos e dão uma ressaca violenta se agente abusar.

Amar as pessoas como diz a espiritualidade é bem menos problematico

DallanChantal13 disse...

Cara, texto muito lindo. Concordo com o que disse. Sem mais (você já disse tudo... rsrsrs)