segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Uma observação.


Sabemos que há alguns milhares de anos, surgiriam pelas voltas do Mediterrâneo tribos invasoras, bélicas, patrifocais e "ativas" que hoje seriam denominadas por indo-europeus. Esses povos, dotados de um conhecimento científico e muito mais "evoluído" trouxeram consigo a domesticação de alguns animais bem como o uso da tecnologia do ferro e do bronze a posteriori. Contrastariam com as culturas até então agrárias, pacíficas e matrifocais, mas "primitivas" ou "involuídas" do Neolítico.

Hoje sabemos que nosso modelo de vida Ocidental e jucaicocristão pode encontrar aí suas mais profundas raízes. A cultura da expansão, do domínio e do poder é somada a uma visão de mundo onde prevalece a guerra e a força. Já não se reverencia uma mãe que abraça seus filhos, mas o pai que os encoraja à conquista e a batalha. Assim, Deus também torna-se Pai, um Pai Guerreiro, Vitorioso e Rei que exige sempre mais e mais dos seus filhos súditos.

Milhares de anos depois do choque cultural causado por estes homens montados a cavalo que rompiam com a tranquilidade das famílias pastoras, hoje vivemos em uma sociedade autodestrutiva e com prazo de validade. A Terra em que pisamos já não é importante, por isso já conquistamos seus mais recônditos lugares usurpando suas bênçãos e beneces, com uma respectiva visão de mundo sempre linear onde a vida é entendida como uma linha infinita e sempre fértil. Aqui, a vida é bela, a morte é feia.

Em breve, chegará o tempo em que os homens olharão para trás e se darão conta do absurdo que cometeram. Paricularmente, já acho tarde para mudar o mundo. Como neopagãos, acho que, antes de mais nada, devemos procurar mudar o nosso próprio mundo, bem como a maneira de lidar com ele. Mudar o dos outros, é natural e consequente. Mas uma coisa de cada vez. E isso é só uma pequena e curta observação de que muitos dos nossos problemas (entendamos eles como fatos ou interpretações) não são de curta, mas de longuíssima-duração histórica.

Detalhe de Gaia (Elsie Russel, 1992).

3 comentários:

Leo Carioca disse...

Eu entendo bem o que você quer dizer. Não adianta lutar por causas perdidas, e as causas perdidas são abundantes ao nosso redor. Afinal, tamos no ex-maior país católico do Mundo, que agora tá ficando bem “evangélico”, né?rsrs
Eu nem sei se um dia eles vão se dar conta dos erros que cometeram. Pois, na mentalidade deles, basta obedecer o pastor, o papa ou adjacências e pronto: já tão com o lugar garantido no céu. Não importa se cometeram erros ou não. Só os chamados “não-praticantes” é que às vezes entendem certos erros que cometeram.
E você tem toda razão quando diz que devemos tentar mudar o nosso mundo. Na verdade, é pra isso que nós tamos aqui, né?
Bom, feliz 2011!

João Francisco Viégas disse...

Sendo tarde ou não, ainda vou tentar fazer a minha parte, me corrompendo o minimo possivel!

Boa reflexão!


Abração!

Queen N8 disse...

"Já não se reverencia uma mãe que abraça seus filhos, mas o pai que os encoraja à conquista e a batalha."

Filosoficamente isso sempre existiu. Antes, agora, depois... Depende da alma que reverencia.

Na perfeição e pureza da Criação, temos inúmeras funções e devemos exerce-las para que tudo se encaminhe para o lugar certo, para que não haja dor, nem sofrimento desnecessário.

Abusar dessa função e esquecer de alimentar a alma com conhecimento e amor presentes na vida, devasta os seres inocentes, deixa-os confusos, perdidos... E a vida na Terra torna-se um caos.