terça-feira, 18 de janeiro de 2011

O que é puro e impuro?

Hoje em dia já não tenho ressentimento algum em relação aos cristãos ou até mesmo ao próprio Cristianismo como em tempos atrás. Não existe motivo algum para isso. Alguns Velhos me ensinaram a ver que todas as maneiras de expressar o sentimento religioso são válidas e justamente importantes por conseguir fazer com que possamos ser sempre melhores do que antes - ou ao menos buscar por isso. Acredito que o Cristianismo é importante para alguns, enquanto que o Paganismo é importante para outros, e assim por diante.

A diferença é que esse primeiro alimenta uma abordagem post-mortem e ensina aos seus devotos regras e diretrizes morais que devem ser seguidas para que, após a morte, possam usufruir do Paraíso bem como do seio do seu Senhor, que é um senhor Julgador. Já quanto ao paganismo, ainda que se preocupe em certo momento com o que acontece no mundo da morte, não tem esse objetivo. Essa segunda espiritualidade faz com que o homem aprenda a viver com o seu meio, respeitando-o e reconhecendo o Sagrado que nele vive. Aqui, reconhece-se o valor do Antigo – pois inclusive busca-se resgatar algumas práticas do passado e adaptá-las aos dias atuais – bem como de tudo aquilo que é Ancestral e Velho.

E justamente por essa abordagem, não consigo concordar com certas coisas. A visão maniqueísta, por exemplo, de que o material é mau e o imaterial é bom, não se encaixa na minha visão de mundo. Ontem mesmo, enquanto viajava, lia algumas páginas do Livro dos Espíritos de Kardec e o autor disserta um pouco sobre isso. Lembrei-me de Agrippa, bem como de Hermes, que lembraram sobre os elementos do Mundo que mantém, essencialmente, uma natureza grosseira aparente e outra sutil, mais profunda – e o verdadeiro Mago deve diferenciar o puro do impuro das virtudes, para que a verdadeira Magia possa se realizar. Ainda que sejam coisas aparentemente semelhantes, são verdadeiramente diferentes.

Muito pensei sobre isso, mas ainda não vejo o mundo como alguns cristãos. Não acho que o corpo ou que a terra seja má. Ainda que existam qualidades sutis, isso não faz com que em nossos corpos físicos sejamos impuros ou menos sagrados que o mundo espiritual.

Cheguei a essa conclusão quando deparei-me frente a uma cachoeira. Como poderia o sangue de Gaia ser impuro? Molhei os pés, e logo depois os joelhos. Agradeci, em paz.

Detalhe de A Crucifixação de São Pedro (Caravaggio, 1600-1601).

9 comentários:

Dyonisio Bacante disse...

Ola Diannus, lindo nome! Bom, eu Dyonisio Bacante não sou dono do Blog contos do purgatório é que eu ajudei o meu professor a faze-lo, ele não é pagão mas é um artista realmente sério. No caso esse blog dele deu erro pq estava em meu nome e ai criamos um a partir da conta dele.
Em todo caso agradeço aos elógios ao em meu nome, o unico blog meu mesmo, ou melhor de mais duas autoras, é o Sussurro das Bacantes.
Fique com a Deusa e bélissimo blog, belas palavras és mto belo!

Dyonisio Bacante disse...

Diannus, achei vc lindo, suas palavras belas e inspiradoras vejo mto de mim em vc!! Estou apaixonado qero seu contacto de msn, qero poder trocar minhas palavras com a sua lindo mesmoooooooooooo.
me add no msn: eternasolitude@hotmail.com
Bençãos dos Antigos!

Robson Rogers disse...

A pureza e a impureza são fatores qualificaveis e são qualificados pelo olhar de cada um. Esse é um ponto, e basta. Ainda que nem todos concordem com os atos, o que parecer puro a um criminoso, assim o será. Tão puro a ele, e tão impuro aos olhos de outros. Porém, ainda assim, jogando War, aprendi que existe um consenso (ou pelo menos dizem existir). Se a minha pureza parecer impura à maioria, deveria eu me sentir impuro ou puro? Até que ponto o consenso é puro?
Eis a questão.

H A R R Y G O A Z disse...

Very interesting website! Thank you for sharing. Will check back often. H.

Qelimath disse...

Ola Diannus,

Eu espero que textos assim comecem a se multiplicar. Como podemos falar de "Intolerância Religiosa" se nos comportamos exatamente como os mais ferrenhos (e ignorantes) cristãos?
Este ódio ao cristianismo demonstrado por algunss pagãos nada mais é que uma forma de dar mais poder ao próprio cristianismo.
Não só isso, desconsidera-se completamente o fato de que por "cristianismo" existem "N" vertentes, e todas elas percebem o mundo de maneiras diversas.
O pagão de hoje simplesmente abraça o termo "Old Religion", por exemplo, sem saber que esta era uma referência aos cultos pagãos integrados ao "CATOLICISMO", quando a Igreja se passava por "Universalista". O termo só veio à tona quando surgiu Lutero e seu cristianismo radical...
Enfim, um pouco de estudo de história e o pessoal ia começar a compreender melhor, e parar de se comportar feito 'Sheeple', instigando o ódio só porque é um componente fácil de ser encontrado dentro das pessoas que deveriam espalhar o Amor.

Parabéns pelo post.

Draku-Qayin vel Sabatraxas (a.k.a. Adriano Carvalho) disse...

;-)

Gostei!!! Muito!!!

e... Santo Agrippa... ora pro nobis!!! hehehe

I. disse...

Muito bom o post! =)
Adorei teu blog, aliás. Parabéns por ele!

E é bem isso: entender que a visão do outro é tão válida quanto a nossa nos permite dialogar com nossas próprias visões, para aprofundá-las e desenvolvê-las..

Acho que é esse tipo de diálogo sadio, esse tipo de 'olhar' para outras formas de pensar o sagrado o que nos dá a possibilidade de, através das diferenças, compreender as semelhanças..

Abraço!

Leo Carioca disse...

Bom, na verdade o que o Cristianismo ensina não é que o lado físico como um todo é impuro e maléfico. Mas sim que o sexo é sempre impuro e maléfico.
Eu sei que tem gente que diz que falar assim é simplificar demais. Mas se você parar pra observar na prática, é isso mesmo. Embora os cristãos digam que, pro deus deles, não existe pecadinho e pecadão, que todos os pecados pra eles são iguais e vão ser julgados da mesma forma, isso é só o discurso inicial. Quando você passa a conviver com cristãos, você vê que as coisas ligadas a sexo que são consideradas pecado são sempre tratadas com mais rigidez e mais intolerância do que outros tipos de pecado. Se alguém se declara um assassino ou um ladrão, os cristãos dizem que o deus deles já perdoou essa pessoa, se ela tiver se arrependido de verdade. Mas se alguém cometeu qualquer ato relacionado a sexo considerado pecado (masturbação, adultério, homossexualidade... ou o simples desejo sexual, pois só desejar a mulher do próximo já é pecado de acordo com a bíblia deles), já tá condenado ao Inferno.
Acho até que já comentei isso aqui uma vez em outro post.
Mas o que eu quero dizer com isso é que não é exatamente o lado físico no geral que é considerado impuro e maléfico pelo Cristianismo. Mas sim o sexo especificamente.
Pode se dizer que o Cristianismo é apenas uma religião de proibição contra o sexo, em maior ou menor grau.

Qelimath disse...

Oi Leo,
Não é o Cristianismo, mas sim os cristãos.
Pegue o Cântico dos Cânticos e você verá ali uma Ode à uma amada, recheada de imaginário sensual.
Escrevi algo no meu blog hoje, falando justamente sobre as ferramentas que temos que usar para combater a ignorância, e os velhos ódios empoeirados.
Dá uma conferida (www.diablerie.com.br)