quinta-feira, 16 de junho de 2011

Sobre o arrependimento.

Há quem goste muito de falar sobre arrependimentos. E há também aquelas pessoas que acreditam que não arrependem-se de nada, no que diz respeito à sua relação com os outros seres humanos. Até mesmo porque “arrependimento” é um conceito humano. Quando se fala com deuses ou demônios, não percebemos com muita dificuldade que eles desconhecem tal conceito.

Arrepender-se de algo pressupõe tomar ciência da consequência de certas atitudes a ponto de não repeti-las. Mas no nosso mundo, estranho mundo, tudo é consumível e muda rápido demais – não sendo exceção com nossos sentimentos. Ou aquilo que poderia ser chamado de sentimentos. Até mesmo porque, quando não existe esse exame de consciência, não existe arrependimento, ainda que muitos falem disso. O que existe são atos de levianidade. E já dizia Oscar Wilde que a levianidade é o maior dos pecados.

Portanto, ao menos na minha concepção, muito melhor do que dizer-se arrependido por coisas que honestamente não acreditamos que são merecedoras de pedidos de desculpas, é ficar em silêncio: essa palavra sim, os deuses e os demônios bem conhecem. 

Detalhe de A Perseguição de Orestes (Bouguereau, 1825-1905).

7 comentários:

Qelimath disse...

Penso que o "arrependimento" seja muito mais uma consequência de quando tomamos consciência de nossas ações passadas. Penso que seja muito mais uma consequência porque nem todos ou nem sempre - se passa pelo "sofrimento" da escolha feita para mudar a forma de agir.
Errar é o primeiro estágio do caminho ao acerto. Resistir e se agarrar ao erro é burrice, e chorar pelo leite derramado, pura perda de tempo.

Nina disse...

eu acho doloroso.

Condessa Suy disse...

Concordo com minha com a coleguinha ali de cima Qelimeth, nesse caso agora é só se arrepender e seguir em frente sem olhar pra trás, sem lamentações, até porque aguá de torneira não volta mais.
Amei a forma que escreves li algumas coisas, sou sua mais nova seguidora posso? rs

Vem me visitar quando der.
http://condessasuy.blogspot.com

João Ludugero disse...

Olá, boa noite!
Eu venho te convidar a visitar meu blog de Poesias. Se gostar e quiser me SEGUIR, fique à vontade, vou adorar ter seus coments. Eu já te SIGO com ALEGRIA.
Abraços,
João Ludugero, poeta.
www.ludugero.blogspot.com
Até mais!

Israel disse...

Acho que devemos experimentar. E ganhar as ciências. E assumir as consequências. Talvez, assumir as consequências seja realmente o caminho do compreender o que foi sábio e o que não foi...

Robson Rogers disse...

Concordo em parte. Arrependimento é sim tomar consciência do ato e e das consequências desse ato, mas não, necessariamente, que, por estar arrependido, o homem não venha a cometer a mesma atitude de antes. Talvez, simplesmente porque o arrependimento, em seu cerne, não é do ato, mas da consequência advinda do ato. Afinal, se não houvesse consequência que causasse mal estar ao agente, talvez ele viesse a repetir o ato vezes mais, ainda que soubesse das possíveis consequências. Aí sim, acho que poderíamos também usar a palavra Leviandade.

Leo Carioca disse...

Bom, eu faço parte do grupo dos que não se arrependem de nada.
Tem uma série de coisas que eu não faria de novo nos dias de hoje, mas não me arrependo de ter feito aquilo na época em que fiz. Afinal, tudo fez parte do aprendizado do que eu sou hoje.