quarta-feira, 1 de junho de 2011

Sobre o trabalho.

Parando pra ver, toda a Natureza se molda à sua volta. Os pássaros, de galho em galho formam seus ninhos com o que encontram espalhados, a semente jogada no fundo da terra fria também é constantemente beijada por esta mesma terra, que um dia a transformará em fruto novamente, bem como nossos anticorpos também trabalham para proteger nosso organismo do que é desconhecido. E com o homem, como ser humano, não é diferente.

A nossa diferença é que chamamos isso de trabalho. Do latim, tripalium ou labor, quase sempre esteve relacionado a algo difícil, penoso. Típico do patriarcado. Ao longo dos últimos tempos, não tenho tido muito tempo de fazer aquilo que tão somente me daria prazer. Mas diferente disso, trabalhar, em coisas que poderiam ser consideradas não tão prazerosas e até mesmo penosas - e por isso ao longo desses dias tenho pensado muito sobre isso.

Partindo do ponto em que o ser humano, como ser social, é falho, seus conceitos também podem ser falhos. Como um ser falho e afastado da sua Natureza, é natural que veja seus processos de sacrifícios e transformações como algo ruim ou mau. Não acho que o papel de uma mentalidade tradicional, ou até mesmo pagã, seja diferente de romper com esse discurso. O esforço humano, desde que seja empregado em prol de algo maior, não deve ser visto com tristeza ou provado com lágrimas: mas diferente disso, observado com Amor e acompanhado com júbilo.

Afinal, quando se repentinamente observa o sol, não é de se estranhar que doam os olhos. Mas quando se dança à ele, respeitando-o e pedindo pela sua atenção, também não deve o homem ficar surpreso quando sua vista se adapta àquela luz, mostrando-o como tudo pode ser, de alguma forma, diferente. Desde que exista calma, respeito e tranqüilidade. Afinal,

"Nada é alcançado sem que algo seja dado em troca". Da mesma forma que

"Todos os Atos de Amor e Prazer são Seus rituais".

Detalhe de Ceres, deusa das colheitas (Simon Vouet, 1590-1649).

4 comentários:

Robson Rogers disse...

Será que para alguém, por exemplo, que já nasça em berço de ouro, haverá algo a ser dado em troca do que se quer conquistar, uma vez a conquista já esteja pronta aguardando sua possessão?

Até que ponto realmente damos algo em sacrifício e ganhamos algo de mesmo peso ou valor do que nos foi tirado?

Nossas conquistas no fim realmente valerão os esforços ou tão somente nos extasiaremos por alguns segundos antes de desejarmos algo maior, que nos roubará mais tempo em sacrifícios?

Não seria essa uma lei capitalista? Por fim, penso, se Deus já não nos teria dado tudo que precisávamos e nós, homens termos tirado de nossos irmãos o que de graça lhes fora dado para que, posteriormente viéssemos a cobrá-los por cada devolução efetuada.

Não sei.. São só questionamentos puros e límpidos que me surgiram agora...

S. Thot disse...

Sabe, tenho um pensamento parecido com o seu. O trabalho tem sido visto como fardo e tal, mas vendo programas como "Trabalho Sujo (Dirty Jobs)" percebo que há um tipo de trabalho para cada tipo de pessoa, mesmo sendo ele os mais perigosos ou nojentos.

Trabalho penoso é aquele que fazemos sem vontade de fazê-lo. Deturpamos a palavra sacrifício, que é ofício sagrado. Tornamos o belo em um fardo.

Nina disse...

Parabéns pelo livro! Um tema original para um romance, embora tratando de tradições. Estou baixando agora.

Leo Carioca disse...

Eu acho que o trabalho só é um fardo se é uma coisa que você ODEIA fazer!
De outro modo, se é uma coisa que você não gosta, mas também não chega a odiar, aí minimamente você ganha algum tipo de experiência ali, né? E pode usar aquilo que você aprendeu ali em outra situação no futuro. Eu mesmo já fiz isso, quando peguei um trabalho por temporada numa coisa em que nem pretendia trabalhar.