segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Sobre a Loucura e a Jornada Bruxa.

Entre uma oscilação e outra, algumas vezes pode ser fácil perder-se no meio do caminho.

A jornada bruxa fundamenta-se, essencialmente, em oscilações, mudanças e transformações: se em um dado momento o indivíduo se reconhece como parte de um Todo no qual são todos, sob a luz do dia, dessa forma interligados, em outro momento é o exilado e renegado que edifica seu próprio destino durante a escuridão e o silêncio noturno. 

Se em certa hora é abençoado por aqueles seres que trabalha, em outro instante é amaldiçoado por eles. O que hoje pode ser um sonho, amanhã pode ser a realidade e depois disso um inferno – e o mesmo caminho também pode ser percorrido de forma contrária. Se em um momento existiu a fome de conhecer o futuro que se seguirá, em outra circunstância essa ideia já pode causar-nos uma reviravolta no estômago. 

É desse transitar entre-os-mundos que muitas vezes ouvimos o que chamam de “loucura” – é evidente que aos olhos daqueles que pertencem a um lugar somente e que não estiveram dispostos a pagar as devidas moedas pro Carontes que sempre deve receber a fim de fazer ondular o rio escuro... Mas se a jornada de fato é louca, é provável que sim. Afinal, em um mundo justo e correto como é o nosso, são poucos aqueles que estão dispostos a se atrever a trilhar um caminho que por vezes deve sê-lo feito de pé e outras vezes de joelhos.

Um caminho do qual até mesmo a recompensa não é certa.
 
Detalhe de Monte Parnassus (Andrea Mantegna, 1497).

6 comentários:

Adash Van Teufel disse...

Bem-vindo ao Caminho da Lua!

E seguimos a jornada!

Abraços!

Pandumiel Tunmarë disse...

Esse ir e vir é tão doce como é salgado!
E não nos alimentamos dos dois para ter equilíbrio?

Um mundo tão justo e baseado na verdade como é o nosso, somos realmente loucos por buscar ver através das cortinas desse espetáculo!

Abençoados os que buscam o desconhecido, já que os limites e as verdades são para aqueles que acreditam na imortalidade da carne! `^^´

Parabéns pelo texto!

Qelimath disse...

"Afinal, em um mundo justo e correto como é o nosso, são poucos aqueles que estão dispostos a se atrever a trilhar um caminho que por vezes deve sê-lo feito de pé e outras vezes de joelhos."

Não poderia ter sido mais perfeito do que isto. Parabéns, este post foi genuinamente inspirado.

Robson Rogers disse...

Devo estar com a sensibilidade zero, pois n consegui captar a idéia do texto de forma alguma. =(

Nion disse...

A Paradoxo certamente é um chave enigmática e essencial do caminhar por estas estradas.

Parabéns pelo texto.

Nina disse...

Às vezes você acerta em cheio. Esse trecho é como um bálsamo.
Sou apenas instintiva, e eme sinto bem melhor quando alguém consegue racionalizar, organizar em palavras uma experiência parecida com a que vem tomando meus pensamentos.