domingo, 4 de setembro de 2011

Sobre o atual panorama religioso brasileiro: A educação como resposta.

Nunca gostei de números, não acho que falem muita coisa. Acredito na relatividade das coisas, talvez seja por isso que escolhi estudar ciências humanas e não exatas – mas seria impossível negar que a parceria de ambos os conhecimentos pode ser saudável. Por isso, resolvi escrever algumas linhas sobre a última pesquisa da Fundação Getúlio Vargas, sobre o Mapa das Religiões no Brasil de 2011


Dentre outros elementos interessantes, cabe destacar aqui a proporcional queda do catolicismo frente aos anos anteriores, queda que só tende a continuar. Grande parte desses católicos passam a optar então pela não-religião (que não é sinônimo de ateísmo), para o evangelismo tradicional e pelas religiões alternativas. O número de evangélicos tradicionais aumentam, de forma que o número de pessoas que não seguem religião alguma também aumentam. Outro dado que também vale ressalva é o grau de instrução. Quanto maior o grau de instrução, maior é a escolha por religiões alternativas (afro-brasileiras, orientais e outras; sendo na grande maioria o espiritualismo melhor aceito). Quanto às mulheres, continuam sendo mais religiosas que os homens. 


Ainda relativizando os números, não é impossível tecer algumas possibilidades. O Brasil agora religiosamente falando também é um país plural. O problema será o ortodoxismo e o fundamentalismo que beiram nossa mentalidade e nossas posturas políticas, coisas que não são com pouca freqüência que presenciamos – mas que tendem a se tornar mais evidentes nos próximos anos. E não creio difícil presumir que a principal arma de combate a isso sempre será a educação. 


Como religioso, não acredito que o gradual declínio do catolicismo seja algo a ser comemorado, ou até mesmo o crescimento do apelo às religiões alternativas: o combate é a aversão aos excessos, seja ele materializado pelo fundamentalismo e até pelo ceticismo, mas cultivando um caminho que opta pelo equilíbrio entre os dois mundos.

Detalhe de Lady of Shalott (Waterhouse).

4 comentários:

Samilo Takara disse...

Concordo contigo Odir. Acredito que não há motivos para comemorarmos a queda de adeptos de uma religião ou o aumento de outras. O importante é o respeito. Seja qual for sua forma de religiosidade, de espiritualidade ou sua crença é importante que seja respeitada. Acho muito bonito quando encontro pessoas de outras religiões dispostas a contar o que elas acreditam e que perguntam como percebo a vida. Os caminhos estão aí para serem trilhados e escolher não é ficar cego para as outras manifestações. Gostei da abordagem!

Pandumiel Tunmarë disse...

Espero que com o aumento do nível de escolaridade, o que é cada vez mais realidade, o foco das religiões mudem de figura.
Vemos que isso está acontecendo com a queda de adeptos do catolicismo.

A religião é uma guia, um auxílio, não uma solução como algumas pregam e isso se torna evidente de acordo com a contestação de doutrinas desencadeadas pela educação.

E como você disse, acima de tudo, não se deve comemorar a queda ou aumento de adeptos de alguma religião, já que todas tem o mesmo objetivo, caso a pessoa ande com seus próprios pés!

A.Dieneke Henrique disse...

Se o paganismo continuar com sua tolerancia religiosa tradicional, poderemos equilibrar a situação. Brigar por causa de religião faz parte só do sistema judaico-cristão, religiões ditas "evoluidas". Mas sempre será preocupante os seguimentos evangelicos, o nivel de fanatismo deles é impressionante!

Leo Carioca disse...

Embora o Brasil tenha o título de ´´Maior País Católico do Mundo``, há muitos anos que isso virou só um título, distante da realidade.
Os católicos brasileiros, em sua maioria, são poucos mais do que ateus com uma instrução católica superficial.
Veja que eles geralmente só lembram que o deus deles existe quando eles tão com algum problema. Aí, rezam pra que o problema seja resolvido.
Mas, acredite se quiser, eu vejo muitos evangélicos que tão começando a seguir pelo mesmo caminho!
Acho que é meio característico da forma do cristão brasileiro (na maioria das vezes) tratar a religião, independente de ser católico ou de outro grupo cristão.
Quanto ao crescimento do ateísmo, acho que em grande parte é de pessoas que simplesmente não se deixam dominar por argumentos tão ridículos quanto os usados por padres e pastores pra tentar manter as pessoas presas às igrejas deles.
E o crescimento de religiões que não são judaico-cristãs é resultado de pessoas que eram rejeitadas pelo Cristianismo e aí descobriram outra religião (outra forma de contato com o Divino) que não rejeitou elas. E consequentemente, foram se sentindo cada vez mais ´em casa`.