sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre o fogo, o Sagrado, a identidade e o Rio Grande do Sul.

O fogo é um símbolo universalmente ligado à questão do sagrado e da identidade que giram ao redor da memória. Memória essa que pode ser histórica ou mítica, e muito frequentemente o encontro entre ambas as coisas: como é o caso das comemorações da chamada semana Farroupilha que atualmente acontece no Rio Grande do Sul.

Pra quem não sabe, basicamente relembra o período de 10 anos na qual o Rio Grande do Sul tentou firmar-se como uma República independente do resto do Brasil e são cultivados os ideias de coragem, bravura, liberdade, igualdade e humanidade. Não são poucas as pessoas que passam a usar no seu cotidiano as roupas típicas e tradicionais como bombachas, lenços vermelhos e vestidos de prenda. Ainda que seja uma cultura e ideias historicamente construídos em cima de um episódio histórico suscetível a muitas questões e debates, não cabe aqui contestar as contradições ou incoerências históricas que existem em torno dessas comemorações, mas atentar nas raízes que os gaúchos miticamente valorizam como protetoras ou sagradas. 


Nessa semana queimará, dentro do Palácio Piratini, a chamada “chama crioula” que é uma representação dos ideais míticos do povo gaúcho – também não há como se esquecer do fogo que queima ininterruptamente em memória a José de San Martin na Catedral Metropolitana de Buenos Aires... E ainda que a chama gaúcha não seja como antigamente que eram organizadas vigílias ao redor do fogo sagrado evitando que esse se extinguisse, toda noite ela é desligada a fim de diminuir o risco de incêndios acidentais. Essa é a releitura de um símbolo sagrado milenar que é o fogo, ainda que não seja atribuído o mesmo valor. No templo de Vesta em Roma o fogo dentre outros significados tinha essa mesma questão de valorização de uma identidade, e o mesmo acontecia nos altares particulares das casas romanas onde se faziam libações aos Ancestrais da família. 

Chama acesa pelo governador do estado. Créditos: Bruno Alencastro.
Governador do Rio Grande do Sul e a Chama Crioula. Créditos: Bruno Alencastro.

Governador e equipe frente ao Palácio Piratini. Créditos: Bruno Alencastro.

Gaúchos e bandeira. Créditos: Bruno Alencastro.
Bandeira, cavalo e gaúcha. Créditos: Bruno Alencastro.
Gaúchos e roupas tradicionais. Créditos: Bruno Alencastro.
Chama crioula e equipe do governo ao fundo. Créditos: Bruno Alencastro.

Ainda que a manutenção de um símbolo se transforme ao longo do tempo, não acho que isso possa afetar seu significado tradicional, afinal, a questão da mudança e transformação são elementos naturais ao fogo que nunca deixou de ser de Vulcano, que com uma forja mágica e transformadora, constrói e modela a própria natureza ao seu redor. 

Detalhe de Afrodite e Hefestos (Tischbein).

5 comentários:

Alexandre disse...

interessante.... ótima reflexão^^

Marco Borboletto disse...

Interessante mesmo!

Aline Margu disse...

Adorei! Minha família é do Rio Grande do Sul, lá das bandas de Alegrete (hj moro em Sampa) e adoro a cultura gaúcha, ela traz implicita mtos dos valores pagãos, afinal é uma cultura campesina na origem e tem muito do europeu, germanicos e italianos...

Adorei ver as fotos tb! :)

Alexandra Oliveira disse...

Tinha uma época que eu ia muito a Rio Grande - RS, perto de Pelotas. Gosto demais dos gaúchos. :)

Robson Rogers disse...

Triste por saber que apagam o fogo de noite. =(