terça-feira, 4 de outubro de 2011

Sobre o poder do Silêncio

Enquanto que o poder da Palavra está relacionado à Vida e a Criação, o silêncio é a Morte, e todos aqui já sabemos que uma coisa não é nada sem a outra. A palavra rompe, quebra e grita. Falar pressupõe conhecimento, mas nem sempre sabedoria. Enquanto que o silêncio é receptivo, o falar é ativo, é desencadeador e criador. 

Talvez o silêncio seja a mais sagrada e honrada das orações. Ficar em silêncio é não assumir a responsabilidade da felicidade alheia ao ter empreendido, por meios ocultos, mudanças e transformações da realidade que vive ao nosso redor. Silenciar é calar no mundo onde a levianidade e a superficialide imperam. É a resposta que deve ser dada quando questionados sobre aquilo que a Vida ainda não apresentou, ou até mesmo sobre aquilo que Ela mostrou, mas que não quer mostremos a outrem antes dela. Silêncio é algo raro de ser encontrado, ainda que possa ser descoberto até no meio de uma multidão

O silêncio pode ser divino e maldito, na medida em que pode atormentar na mesma intensidade que consolar. Mas diferente da Palavra que muitas vezes pode enganar, o Silêncio dificilmente vai desempenhar esse papel. A Palavra ordena e o Silêncio sela aquilo que foi feito um dia, assumindo um eterno vínculo de compromisso entre a Vida e a Morte que sempre dançaram de mãos dadas sob uma música que ressoa por toda a Eternidade. 

"Um silêncio cauto e prudente é o cofre da sensatez."
Umberto Eco.

Detalhe de Diana e Endimião (George Frederick Watts).

6 comentários:

Robson Rogers disse...

O silêncio, assim como a palavra, é oportunidade de fazer com que as coisas aconteçam ou simplesmente não aconteçam. O nosso dom de usar ora a palavra ora o silêncio está menos em nossas mãos e mais nos ouvidos alheios que os irão compreender como bem entenderem.

É como uma faca que utilizamos através de um ou outro movimento para o corte. E onde irá cortar? Só os Deuses sabem...

S. Thot disse...

O silêncio nos permite receber conhecimento, realmente! Só quando calamos nos abrimos para as coisas que chegam.

Abraços.

Nion disse...

Faço minha as palavras de S. Thot, o silêncio é o portal da sabedoria, é através da ausência das palavras e seus labirintos racionais que os Abençoados falam conosco.
Penso que o silêncio está para a noite como o som para o dia: a unicidade e a individualidade.
Antes do Verbo era Slêncio. Faz sentido?

Draku-Qayin vel Sabatraxas disse...

Alogos! Eterno princípio pertencente ao Azothos, que caminha juntamente com Achronos...

Ótima postagem...

FFF

Driko

Caíque Rufato disse...

O SEU BLOG É MUITO BOOOOOOM!

Leo Carioca disse...

Bom, a meu ver, falar muitas vezes não envolve conhecimento nem sabedoria.
É só pensar naquela pessoa que passa as 24 horas do dia dela numa matraca desenfreada. Esse é o tipo de pessoa que vive falando coisas desnecessárias e se contradizendo uma vez atrás da outra. Então, não há nem conhecimento nem sabedoria nessa pessoa. Ela acaba se transformando num ser que emite um barulho desagradável com a boca (porque ninguém nem presta mais atenção no que ela fala, só começam a se incomodar com o barulho da voz dela) e acaba por fazer muitas pessoas fugirem dela. É o típico caso da pessoa que, quando chega num ambiente, tem sempre alguém que levanta e sai, porque não quer aturar aquela falação desnecessária e sem fim.