segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

O Natal como uma festa capitalista e consumista. Mas seria só isso?

“As verdades contidas nas doutrinas religiosas são, afinal de contas, tão deformadas e sistematicamente disfarçadas que a massa da humanidade não pode identificá-las como verdade." Freud. 
Época de fim de ano, começam os discursos materialistas e reducionistas acerca do Natal. Todo mundo sabe dos aspectos capitalistas dessas e outras celebrações religiosas ao longo do ano ocidental, todo mundo sabe das apropriações dos símbolos e dos mitos acerca dessas festividades. Que é uma data especial para fomentar a compra, o lucro e o consumo desenfreado, de fato o é. Mas seria o Natal somente isso? Poderíamos reduzir uma celebração milenar pelas atribuições que ela recebeu ao longo de poucas décadas atrás? 

Não vou me deter às explicações sobre os símbolos pagãos disfarçados no Natal aparentemente cristão, pois desse assunto todo mundo também fala todo o tempo. Mas só quero lembrar aqui que, independente das crenças religiosas, todos passam, inexoravelmente, por um período de transição. As pessoas ficam irritadiças pelo cansaço acumulado ao longo do ano, esperançosas pelas férias - ou ainda mais indignadas quando elas não existem -, nervosas pelo calor brasileiro, pelo tumulto ou pelas gritarias nos centros de quase todas as cidades do mundo. 

Porém, paralelo a isso, seria interessante não esquecermo-nos de outros aspectos desse momento, que além de consumista também é religioso, e mais do que religioso também pode ser espiritual. Seja reconhecendo a data como o nascimento do Cristo, ou como a data do renascimento do Sol que no hemisfério sul chega então no solstício de Verão, trazendo a todos, bons desejos de alegrias, saúde e felicidade: seja o que for. Que os aspectos não-materialistas desse momento do fim de ano possam ser lembrados. 

Pois sim, eles existem. Se não pelo Natal, pelo novo ano que chega. Se não por isso, pelas férias, e se por nenhum desses motivos o desejo seja forte o suficiente, que seja pela simples necessidade humana de tornar sagrada e divina um cotidiano mundano e mortal. Que possamos todos, assim como Jesus, Mitra ou o Hércules solar, sermos heróis de nossas próprias realidades. 

Que a boa sorte se incline aos nossos desejos.

Imagem: Detalhe de Helios, as Horas e sua irmã Aurora (Guido Reni, 1614).

7 comentários:

Andrea O de Souza disse...

eu amo o natal mas nao sou catolica....acho que esta época traz uma magia e energia única, que devemos aproveitar e reconhecer, independente de nossa fé.

SHALI disse...

Lindo texto, realista! Eu amo esta época, quando ela se aproxima, sinto a magia no ar, no rosto das pessoas e na felicidade de cada sorriso, porém, concordo com o teor do texto e me pergunto? É o natal que todos anseiam,pelo real sentido que deveríamos dar à ele ou, é o feriado, férias, compras, etc.? Sinceramente não sei as respostas, só sei que o Natal é mágico, de alguma forma ele une as pessoas, nos faz sonhar e acreditar mesmo que no próximo ano tudo será bem melhor!

AugustoCrowley disse...

Que Assim seja! Que possamos vivenciar esse periodo de forma alegre e suadavel em todos os sentidos.Um feliz Natal para todos daqui.

Eross Wertt disse...

Dianus
Eu não penso que seja somente apropriação, ou deturpação, ou hipocrisia dos cristãos, que usam conceitos e crenças milenares, símbolos pagãos, etc, como se viessem do cristianismo, como falam muitos por aí.
O que acontece é que ninguém cria nada do nada, e sempre uma nova usa elementos anteriores da precedente com uma nova roupagem. Mas alongar isso seria discutir o processo criativo, e esse é um outro debate, que fica pra outra hora. Para não te deixar sem reposta, exemplos disso são as máscaras que Deuses antigos assumiram sobre forma de Santos, Anjos ou Demônios, na cultura cristã do Novo Aeon, o Aeon do Filho, na Era Comum.
Mas a época da Mãe (Pré-História e Antiguidade), do Pai (Antiguidade e Idade Média) e do Filho (Idade Moderna) já pasaram. Msm que tentem retomar a figura da Sagrada Família, com a representação do Pai feita pela Canção Nova, inclusive muito similar a figura de Zeus e Odin, antes sozinha, agora com Maria e o Filho, não adianta na contemporainedade. Agora seria a Era do Neto? O que seriam a geração X, Y, os metrossexuais, os machos alfa e beta, índigos e cristais? o que usaríamos para simbolizar esses que vem trazer as transformação de instituições decadentes, entre elas religiões, família, casamento, figuras de autoridade que deveriam nos representar, como policiais, governistas, etc, reflexos da decadência da sociedade? Esses não estariam na contemporaneidade, seriam vanguardistas. Não seriam os netos, seriam já os bisnetos. hehehe. Claro, como lido com tradições italianas, resgatar valores como família é importantíssimo. Mas não a família tradicional, em que os filhos obedeciam td que os pais diziam sem questionar, isso já passou. Precisamos de novos modelos. OU não.

Eross Wertt disse...

*uma nova religião usa elementos de uma religião precedente
então tem que se estudar das mais antigas pra mais novas, pra ver como elementos vão se infiltrando ou sendo absorvidos por uma nova cultura.
Processo similar acontece com o folclore. E com tradições quando as pessoas migram, e mudam de país, como por exemplo, comparar a cultura dos descendentes com dos ascendentes, com os antepassados que vieram de outro país pro Brasil.

Bibs Freire disse...

Há anos já resolvi o Natal na minha cabeça: sincretismo cristão da antiga celebração pagã. Mesmo sendo a data errada (Jesus não nasceu neste mundo em dezembro), é bonito ver que algumas pessoas não desistem de festejar o verdadeiro Espírito do Natal.

Leo Carioca disse...

Eu só fico numa dúvida sobre o que seria pior:

Um Natal 100% materialista e consumista voltado exclusivamente pra compra e venda de presentes, como existe no Ocidente atual?

Ou um Natal triste e melancólico, no qual as pessoas devem passar o tempo integral se autoculpando porque ´´mataram Jesus``?

Não vamos esquecer que a 2ª alternativa foi o que o Cristianismo impôs ao povo até meados do século XX.