segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Alguns dos motivos pelos quais eu acredito em deuses (Parte 2).

Primavera de Botticelli. 


Não é com dificuldade que podemos associar o Monoteísmo à crença de um deus transcendental e onipotente. Geralmente esse processo nas sociedades se dá devido a urbanização e a um afastamento gradual da natureza. Logo, teoricamente o homem amplia seu campo de visão, passa a ter uma concepção mais "global" do mundo e, consecutivamente, "afasta-se" dos deuses da terra ou dos campos. Deus, então, recebe seus atributos celestial de Todo-Poderoso governando com sabedoria o reino humano à distância. ¹ O politeísmo então, torna-se sinônimo de atraso e ignorância.

Nem preciso aqui lembrar minhas críticas ao que muitos chamam de "evolução" da sociedade. Basta, por enquanto, lembrar aqui algumas das minhas razões para não ser simpático à essa forma de Deus como única interpretação das suas muitas faces: 

Primeiro que a pluralidade divina me dá muitas ferramentas de experimentar - no real sentido da palavra - as muitas faces da Divindade. A noite, o dia, o sol, a lua, a terra, a chuva, o fogo, o Amor, todos esses são conceitos que no paganismo trazem deuses consigo. Crer que eu posso ter contato com essas divindades e compartilhar com esses deuses essas experiências sagradas e divinas seria impossível se esses mesmos deuses estivessem longe da humanidade, reinando talvez, em um trono dourado nos céus. 

Enquanto que em certos momentos o monoteísmo se afasta para poder ensinar, o politeísmo se aproxima não para ensinar, mas para então vivenciar - do verbo viver. Eu creio em deuses que estão próximos à mim pois isso é uma resposta a um mundo individualista, leviano, muitas vezes hipócrita e transbordando de formalidades e superficialidades. Se curvar dentro de uma igreja em silêncio pode ser uma vivência maravilhosa. Mas tirar a roupa e dançar em volta de uma fogueira, sem dúvida, isso não tem como explicar em palavras.


¹ Ver ELIADE, Mircea. O Sagrado e o Profano. São Paulo: Martins Fontes, 1992. 


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5 comentários:

Katharina Dupont disse...

Por isso que eu acredito que ser pagão e politeista nos permite ter uma fé muito mais forte e sedimentada dentro de nós, nos amplia a percepção do mundo ao nosso redor ao interagir com as diversas manifestações do Sagrado.Somos mais raros mas ao mesmo tempo nossa fé é mais questionadora e seletiva do que muitos cristão que conhecemos.

Arthemise disse...

Onde está a tecla "aplausos"??
rs
Adorei o texto, ser pagão é ser livre e responsável, como vc bem colocou "não há palavras pra explicar".

Robson Madredeus Carvalho disse...

É isso mesmo Odir Fontoura, a grande magnitude do paganismo é vermos Deus em todos os lugares, de todas as formas, desde as formas mais primitivas até as mais modernas, qualquer lugar pode ser templo para um bom pagão...

Eross Wertt disse...

Dianus,
só não entendi pq vc usa deuses e não Deuses. As pessoas alegam que deuses se referem a espíritos, como na doutrina de Kardec, e portanto, não ao deus supremo, e msm que esses espíritos sejam divinos, não seriam mais importantes que os espíritos santos, ou angélicos. O que dá margem a muitas interpretações. Creio que os Deuses são supremos em seus domínios.

Leo Carioca disse...

Já que você usou o verbo ´´vivenciar`` durante a explicação, quero aproveitar pra lembrar que talvez ESSA seja a grande diferença entre nós e os judaico-cristãos: eles atravessam a vida tentando agradar o deus único deles com medo de serem mandados pro Inferno por ele; nós, a partir do momento em que nos conectamos com os nossos deuses, passamos a vivenciar o contato com eles.