quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Deus como criador. O ser humano como criador. O ser humano como deus.


Detalhe de Ícaro e Dédalo
(Paul-Landon 1790-1826)
Inegável é a capacidade do ser humano de criar. A cultura, a religião, a política, as leis e as sociedades, todos esses elementos que situam o homem no seu Universo são todos criações humanas. E dado à ele o poder de construir, também foi dada a capacidade de destruir, então também ganhamos a habilidade de matar, ceifar e fazer definhar quase tudo que possui vida. 

O que não acontece com pouca frequência é que utilizamos esses dons a todo instante sem nos darmos conta disso. Nossa realidade, tal como a entendemos hoje, é algo totalmente criado, construído e destruído frequentemente. Não falo aqui do poder do pensamento positivo esquisotérico, mas mais do que isso, do Amor que podemos empreender no mundo aparente que nos cerca e fazer com que um cotidiano profano torne-se sagrado e abençoado pelos deuses por isso. Sendo a vida sagrada e sendo o homem abençoado com uma centelha de divindade, não conseguimos ser levados à crer em outra coisa senão na nossa capacidade de entrar no ritmo do Cosmos e do Caos das nossas próprias existências. 

O Mago e suas
ferramentas de trabalho
sobre a mesa. Tarot de
Marselha

A arte feiticeira está relacionada justamente à essas habilidades: a consciência de que a vida é como a correnteza de um rio, que podemos nadar a favor dela, mas que também em determinadas ocasiões podemos fazer o possível para transpor essas águas. Podemos conviver com a destruição das coisas que amamos, com a ignorância e com a levianidade, mas jamais aceitar que isso faça parte do nosso Cosmos se não for essa nossa vontade. 

Da mesma forma que musicistas criam músicas, poetas criam poesias, escritores criam livros e arquitetos e pedreiros constroem edifícios, homens e mulheres herdeiros da Arte Sem Nome criam além de Arte em si, uma realidade e um Cosmos maldito e abençoado ao mesmo tempo. Tudo dependendo sempre da Vontade, do Amor e do ponto de vista.

3 comentários:

Tiago Batista de Oliveira disse...

Ótimo texto sobre a Arte Sem Nome dos Forjadores da Realidade!

AugustoCrowley disse...

Interessante!

Robson Rogers disse...

Essa questão de o homem ser criador e destruidor de seu próprio universo é algo que me leva a crer que muitas coisas vem de nós, e muitas nos são tiradas por nós mesmos. Daí crer em um Deus católico que manda sinais estranhos através de acontecimentos estranhos, me parece ser uma boa estória de se querer crer. Se eu fosse crer na existência de um deus ou vários, acreditaria que estes ou estes estariam bem ocupados cuidando de várias galáxias... não de um planeta, de uma pessoa, ou acontecimento específico. Acho que nós humanos temos o poder que necessitamos para mudarmos nossa realidade, apenas acreditamos mais no divino exterior do que no divino que mora em nós mesmos. Não passamos de um vice treco do sub troço, mas ainda assim, somos literalmente parte, pedaço, resquício do divino.