terça-feira, 20 de março de 2012

Alguns dos motivos pelos quais eu acredito em deuses (Parte 4)

Detalhe de Alma Parens
("A Pátria", Bouguereau,
1883). A Pátria aqui é a
alegoria de uma mãe que
alimenta seus filhos.
O monoteísmo pode ser, por natureza, uma crença imperialista. Um quadro mental onde uma única divindade é a que reina sobre o Universo criado não suportaria uma convivência pacífica com outras manifestações de divindades, a não ser que essas últimas fossem subalternas a si: é o que vemos no Cristianismo e no Islamismo. No Judaísmo isso já não é tão acentuado, mas por um fator determinante: os judeus, aos seus olhos, são um povo escolhido. Logo, a necessidade de um judeu de levar sua religião ao outro e entendê-la como única e absoluta não é tão forte quanto no cristão ou muçulmano convicto. 

Hoje no Brasil estamos passando por um momento político muito delicado, do qual não espero um futuro muito favorável. A chamada "bancada evangélica" tem tomado uma força nos legislativo, executivo e judiciário. E justamente usando de plano de fundo essa mentalidade de que seus caminhos são a única salvação e que tudo que é diferente de si é errado ou pacaminoso (João 14:6). 

Essa semana vi esse vídeo: 


Dizem que se refere a uma homenagem ao centenário das Assembleias de Deus no Brasil no ano passado. Mas esse é só um dos vários exemplos da torpe atuação política evangélica no Brasil bem representada por Myrian Rios que anseia arrecadar milhões para a vinda do Papa para o Brasil, Marcelo Crivella que argumentou contra o evolucionismo e a favor do criacionismo em plena esfera pública e vários outros. Não faltam vídeos no Youtube desses personagens. 

Isso me assustou pois é a verdadeira materialização da mentalidade patriarcal de domínio, conquista e imposição de uma verdade absoluta - independente do que pensam os outros. Afinal, errado são os outros. O problema é quando isso ultrapassa a fronteira da vida religiosa e cai na esfera pública: a separação de Estado e religião que consta na constituição (decreto 119-A de 17 de Janeiro de 1890) há muito não é respeitada. Como cidadão, pago meus impostos mas não é pra ver esse tipo de coisa. 

Como neopagão, apoio as marchas pelas liberdades religiosas e todos os movimentos do gênero. Afinal, um Estado que não deveria ter religião oficial se hoje permite esse tipo de discurso, sem dúvida amanhã vai estar silenciando aqueles que não os convém. Não queiramos pagar para ver.

Não é querer puxar farinha pro meu saco, mas duvido muito que um politeísta nos dias de hoje tivesse esse tipo de atitude, sendo que a primeira coisa que aprendemos no nosso Jardim de Infância, é respeitar o amiguinho que tem um brinquedo diferente. Aliás, não acho que essa seria a solução, mas na brincadeira, dá um "curtir" quem apoia a criação de um Partido Pagão Brasileiro. 

8 comentários:

Gwydion disse...

Posso estar sendo alarmista...ou não
Mas vivo constantemente com medo dessa evolução do "poder evangélico" no meio politico.
Nem tanto como neopagão, mas mais como homossexual.
Barraram a união estável para membros do mesmo sexo, barraram o Kit anti-homofobia, querem barrar a proposta que criminaliza a homofobia...
No Brasil já somos cidadãos de 2ª classe, nesse nivel, seguindo esta linha, logo seremos de 3º nivel

Rondnelly Nunes disse...

Esse texto me lembrou de um desprazer recente: discutir política com uma colega de turma, da Assembleia de Deus. Não convém expor tudo que ela me disse, mas entre os absurdos, estava que os cristãos são maioria e podem fazer o que quiserem (inclusive escravizar grupos minoritário, caso eles queiram - sim, ela disse isso).

Fábio Raven disse...

Religião não pode interferir em politica!!!esses evangelicos tão tomando conta da politica,é bom todo mundo abrir os olhos antes que vire uma inquisição..

Romilson Soares disse...

Isso mesmo, tenho medo dessas pessoas e do que elas são capazes de fazer, já fui católico e protestante também, muitos dentre eles são terríveis, principalmente os neo-pentencostais, estamos prestes a viver uma teocracia disfarçada de democracia, cuidado pagãos, neopagãos, homossexuais, candoblecistas, umbandistas, espíritas, ateus, agnósticos, evolucionistas, negros, mulheres e por aí vai!

Robson Madredeus Carvalho disse...

Concordo com você Odir Fontoura e tenho a mesma preocupação, mas cheguei a uma conclusão que atualmente estou tentando seguir por esta linha de raciocínio: durante séculos fomos difamados, imcompreendidos, vilipendiados etc e tal. Nos tempos atuais com o advento da nova era que tem a forte característica de ser esotérica, de resgatar conhecimentos que foram esquecidos pela humanidade mas que são de suma importância. Devido esta nova era podemos falar que somos pagãos, apesar do preconceito, não somos queimados vivos, podemos nos reunir numa praça, muitos vão rir de nós, mas podemos fazer isso. No entanto eu cai no erro de tentar justificar o paganismo, de explicar pq os cristãos estão errados, de me lamentar pq as pessoas ainda caem nessa ladainha e assumo que me deixei influenciar por uma gama de pagãos que seguem esta ideologia. Ocorre que quando tomamos essa posição estamos desperdiçando energia, que poderia ser canalizando em uma vivência mais profunda do paganismo, em um ensinamento eficaz e honesto para aqueles que estão chegando agora, fazer trabalhos de qualidade para compartilhar com aqueles que estão a mais tempo na caminhada. Não concordo com a ideia de um partido pagão, vamos deixar essa coisa de falcatruas políticas para eles. É inevitável, nossas ideias vão aos poucos dominar o mundo, comoum perfume suave que se espalha em um cômodo, todos irão sentir e muitos não saberam nem de onde veio. É verdade também que o neopaganismo ainda tem muito oque aprender, temos que desfazer essa mágoa do cristianismo, temos que desfazer nossa vaídade em nos sentirmos especias pq somos bruxos ou esotéricos, precisamos entender que somos pessoas comuns. A grande maioria parece não ter entendido isso, agindo dessa forma espalharemos nosso perfume. Admiro muito sua posição odir, só acho que devemos evitar de nos tornar-mos como os cristãos. O lugar do paganismo talvez seja mesmo aqui na margem, dessa maneira não ficamos tão prepotentes e temos mais tempo para sentir e observar os deuses através da natureza. Parabéns mais uma vez, sinto que você tem uma visão que os pagãos ainda estão começando a construir, sua missão é longa rapaz. PAz e Luz!

Pandumiel Tunmarë disse...

Odir, concordo com você sobre exigirmos um estado laico e temo que este caminho ainda seja longo e penoso, mas estamos começando.

Vemos hoje que a população está começando a se mexer, coisa que não acontecia a pelo menos 50 anos!
Tudo começa divagar, com movimentos indiretos e conscientização do povo.
Depois que vai tomando forma e cresce, começando a surtir efeito.
Óbvio que haverá resistência, mas sempre seremos a maioria.

Como o Robson falou, não concordo com um partido pagão, será a mesma coisa que a bancada evangélica. Mesmo que os pagãos não façam uso da religião, mas então pq um partido chamado de pagão? Simbologia faz a diferença.

Vamos fazer nossa parte, assim tranquilamente como a natureza nos ensina, dessa forma não seremos tocados pela euforia de tornar o mundo um lugar perfeito, e sim num lugar melhor! `^^´

Asterion disse...

Só posso dizer uma coisa: "Aux armes". Estamos a porta de uma nova Inquisição.

Eross Wertt disse...

falou td, Robson Madredeus de Carvalho.
Já existe o Partido Verde, que tem muito em comum com nossa causa de Ecoespiritualidade, que envolve o Ambientalismo, e é um partido internacional.
Já existem o Greenpeace, o WWF, o SOS Mata Atlântica.
Pq vcs não fazem parte desse partido e desses movimentos?
Penso em me filiar ao PV, mas preciso primeiro me desfiliar do PSDB ao qual fui filiado qd era criança.
Bênçãos.