sábado, 10 de março de 2012

A Bruxaria como imoralidade.


As Ninfas de Diana perseguidas pelos
Sátiros
(Rubens 1638-40). A sexua-
lidade dos tempos antigos, por exemplo,
foi muito mal-vista pela nova moraliadade
 cristã. A tal ponto que o maior inimigo de Deus,
o Diabo,  ainda e retratado tal como um sátiro
greco-romano.
Pra mim, Bruxas são minorias. São marginais, noturnas e lunares em um mundo predominantemente solar e "belo". E justamente por serem periféricas e ocultas aos olhos da maioria das pessoas, estão em todos os lugares em todos os tempos: ao menos ainda não tive conhecimento de qualquer sociedade ao longo da história em que não teve, na margem de seus círculos sociais, praticantes ocultos dos conhecimentos feiticeiros. E isso se estende até a nossa sociedade pós-moderna.

De todos os peregrinos dessa estrada sagrada e maldita que conheci, todos eram imorais. E pessoas imorais geralmente são as mais fascinantes. Por um motivo muito simples: entende-se por imoral alguém cuja moral não é a mesma da moral dominante. E isso pressupõe ausência de senso comum. E encontrar pessoas que fogem ao senso comum hoje em dia é coisa rara.


A Força, no tarot de Marselha.
Muitas pessoas fazem
verdadeiros sacrifícios tentando-
se adaptar à uma moralidade
imposta pela sociedade que
muitas vezes não concorda. E
nem sempre vale a pena. 
Por isso que gosto dessas pessoas. Podem ser professores, mas jamais serão professores comuns. Podem ser médicos, estudantes, administradores, artistas, e independente do que fazem ao longo do dia, durante a noite todos se encontram em um mesmo objetivo em comum. E são essas andanças noturnas que fazem com que seus passos ao longo do dia sejam dotados de uma beleza especial que poucos escolhidos conseguem perceber. Bruxas dificilmente andam em massas: elas misturam-se às massas, apenas destacando-se dela quando necessário ou quando lhes é conveniente ou sábio. 

Não duvido que, em séculos passados, o clero cristão que fez seus livros transbordarem de registros contra àquelas que consideravam bruxas em verdade tinham inveja dessas mulheres que lidavam com o mundo de maneira mais natural e até "selvagem" que os padres com sua castidade e seus mosteiros isolados. Não duvido que os indígenas da América Central, dada a chegada dos espanhóis, não despertassem a inveja daqueles homens que se consideravam tão sábios, mas que ficaram perplexos com suas construções farônicas. Não duvido que a feiticeira grega que blasfemava contra seus inimigos o fazia por considerar uma sociedade muitas vezes injusta e desprezível. 

Todas essas pessoas foram acusadas de imorais. E pelos motivos que expliquei acima, todas elas de fato o eram, pois ainda que se metamorfoseassem em pessoas comuns, nunca foram iguais a todos. Por isso que, de certa forma, quando me chamam de imoral, pra mim isso é um elogio. 

4 comentários:

Mauricio Scienza disse...

That´s what I´m talking about.. GENIAL *-*

Ariadne Duvessa disse...

[...] "entende-se por imoral alguém cuja moral não é a mesma da moral dominante. E isso pressupõe ausência de senso comum. E encontrar pessoas que fogem ao senso comum hoje em dia é coisa rara."

O parágrafo mais perfeito que li em muito tempo na internet Odir... ^^

Katy disse...

Oi Odir,

Penso que "imoral" aos olhos daqueles que seguem o que é "moral" em uma dada cultura.

Contudo, creio que o termo mais acertado para as bruxas seja "Amoral", ou seja "sem moral".

Abraços,

K.

Leo Carioca disse...

rsrs
Achei curioso quando você disse ´´Podem ser professores, mas jamais serão professores comuns.``.
Bom, eu sou pagão e sou professor, mas com certeza não sou um professor comum. Então, sou uma das provas do que você disse.