segunda-feira, 2 de abril de 2012

Como lidar com o proselitismo?

Detalhe de Os deuses do lar
(Waterhouse, 1880). De modo geral,
a prática do que chamamos hoje de
"proselitismo" não pode ser encontrado
no paganismo clássico. O politeísmo
romano geralmente abraçava os
deuses que não fossem os latinos,
inclusive por questões políticas, por exemplo. 
Proselitismo é o conjunto ou necessidade de fazer prosélitos. Prosélitos são aqueles convertidos à uma nova religião. Logo, entende-se por proselitismo a tentativa ou o ato de converter pessoas a uma religião.

E quanto à isso, estou pra conhecer pessoas dispostas a sofrer tal empreitada. Já pessoas que têm a necessidade disso, sobram por aí e batemos com elas a todo tempo. Isso pode parecer generalizante, mas sempre vi as tentativas de proselitismo como, lá no fundo, uma insegurança pessoal. E continuo pensando da mesma forma. É claro, em doutrinas de origem semita, a grossas linhas, a partir do momento em que se cultua um único Deus é natural que a noção de "conversão" e "salvação" esteja presente. Talvez quem converta não o faça por maldade, pois acredita que, de fato, está fazendo um favor àquela pessoa.

Mas lembremos, então, que hoje vivemos em uma pós-modernidade em um mundo onde existe - ainda que muitas vezes mascarado - um relativo sentimento de liberdade e livre-arbítrio. Quem pratica o proselitismo não leva isso em conta, desconsidera totalmente que o futuro religioso é uma pessoa que muitas vezes, não quer ser convertida. Quem converte, desconsidera que aquela pessoa tem uma bagagem cultural, mas impõe à essa bagagem, a cultura "superior" ou a cultura "verdadeira". E todos sabemos, politicamente falando, que as massas evangélicas hoje em dia fomentam e provocam um alto valor financeiro para as igrejas, o que torna a prática da conversão além de "divina", altamente rentável. Mas ainda não entremos nesse assunto.
O Diabo no tarot de Marselha.
Essa carta representa muitas
vezes vícios e doenças. E ao
menos ao meu ver, o proselitismo
não deixa de ser um vício doentio
que se agarra em bases muito fracas.

O que me atraiu na Bruxaria desde o começo foi o fato de não existir proselitismo. Você pode receber testemunhas de Jeová, protestantes, católicos, pentecostalistas trazendo a palavra "Verdadeira". Mas tenha certeza que nunca uma bruxa baterá na porta da sua casa convidando-o para aprender e praticar Bruxaria. Aliás, pelo contrário, o ingresso por natureza, é algo difícil e trabalhoso, e não penso como poderia ser diferente.

Algo estranho nessa relação, não?

Portanto, sempre que aparece alguém tentando fazer proselitismo comigo - seja proselitismo religioso, político, moral, ou qualquer coisa que o valha - eu não consigo ver ali uma pessoa que não seja reacionária. Quem fielmente acredita em suas crenças e está feliz consigo mesmo não precisa gritar isso aos quatro ventos.


Sempre suspeito. 


7 comentários:

Emanuel disse...

Cara, como sempre você foi no osso.
Para contextualizarmos.
http://revistaepoca.globo.com/Sociedade/noticia/2011/11/dura-vida-dos-ateus-em-um-brasil-cada-vez-mais-evangelico.html

Mallory Knox disse...

Ótimo texto! Temos que lidar todos os dias esse proselitismo, que beira o fanatismo, seja religioso, ideológico, político, e principalmente com a onda crescente de "esquisotéricos", rsrs. E o que o paganismo tem de bom é essa ausência de auto-afirmação, de se estar de bem consigo mesmo, ainda que sempre visando a lapidação do ser da vida profana em busca da iluminação. Abraço!

AugustoCrowley disse...

Concordo com seu texto em todo os sentidos.Principalmente quando finaliza que quem acredita na sua crença, tem uma visão bem resolvida da vida, nao sai por ai gritando aquilo aos quatro cantos.E quem não tem que vá em busca, livremente.

Lucas Kirschke disse...

Eu gosto muito de um comentário do Joe Campbell, dizendo que ele não acreditava na crença desses grupos mais proselitistas; porque, se eles acreditassem mesmo naquela coisa toda de "pecado é ruim, pecado leva ao inferno e inferno é um lugar muito, muito desagradável", eles não andariam por aí tão alinhados, com suas bíblias embaixo do braço, estariam gritando histericamente, tentando convencer os pobres infiéis. Afinal de contas, a ameaça de Javé é coisa séria, não haveria tempo para civilidade, hehe.

Rafa disse...

Como disse a Rita Lee, finja que o proselitista é um urso. Finja-se de morto que ele vai embora...
Hahahah

carla disse...

Um lindo texto que aqui nos deixas!


Passo para te desejar um bom fim de semana e uma Santa ´Páscoa!

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beijo,Carla Granja

http://paixoeseencantos.blogs.sapo.pt

Eross Wertt disse...

na verdade o proselitismo não é apenas tentar converter alguém a um sistema religioso, mas também à sua forma de pensar. Um prosélito é aquele que quer que todos concordem com suas idéias, quer sejam de cunho religioso, ou não.
Sabe aquela pessoa que acha que td mundo está errado e só ela é a certa?
Esse é um prosélito.