sábado, 21 de julho de 2012

Os três mundos na Bruxaria: A Terra (Parte 1).

Aqui, Diana Caçadora (Gaston Casimir
Saint-Pierre) representa o aspecto
"terreno" da Deusa Tríplice, que
mais do que Diana é, na verdade,
Ártemis
O número 3 é por excelência um número peculiar dentro da Bruxaria e não são raras vezes em que dentro do Mito Bruxo tanto o Universo quanto o próprio Tempo em si são divididos de forma tríplice: passado, presente e futuro; ou até mesmo material, mental e espiritual. Sem excluir necessariamente esse tipo de "divisão", vamos nos deter aos mundos, então, do Inferno (Submundo), da Terra e dos Céus.

Poderia dizer que uma das qualidades essenciais do Bruxo ou da Bruxa está no fato de poder transitar entre esses mundos, e é só quando temos consciência da complexidade e da peculiaridades dessas esferas que, de fato, descobrimos nosso lugar no Universo. E isso pode parecer generalizador ou até simplificador demais, e talvez até o seja para algumas pessoas, mas creio que vale a reflexão sobre o assunto.


Começo falando sobre a Terra pois é o primeiro dos mundos que tomamos conhecimento. É o mundo físico, material, "palpável" do qual vivemos. De modo geral, o Bruxo vê na Terra uma extensão do seu próprio corpo onde tudo está, de uma ou de outra forma, interligado como em uma grande teia. São raras exceções daqueles que chegaram à Bruxaria sem ser pelo paganismo. Eu teria dificuldades de acreditar em uma Bruxa, por exemplo, que não respeita o ambiente ao seu redor ou que, dentro das suas possibilidades, não faz o mínimo para preservar a ordem do cosmos que está ao seu redor. Não confiaria em uma Bruxa que joga o toco do cigarro no chão ou em um Bruxo que não vê problemas em jogar uma lata vazia de coca-cola da janela do carro.

É exatamente por ver na Terra uma extensão do próprio corpo que seus feitiços funcionam. Qualquer ser humano que não faz o mínimo para preservar sua higiene não consegue ter uma vida saudável. Qualquer Bruxa que deseja entrar em sintonia com o mundo ao seu redor, para nele operar mudanças, precisa vê-lo como sagrado, mantê-lo limpo e respeitável. Querer praticar Bruxaria sem ter consciência dos mínimos deveres no que toca à manutenção da Natureza é como querer ser saudável sem tomar banho ou se alimentar decentemente. 

Ilustração colorida de Ulricus
Molitoris
, do séc. XV. Aqui,
as bruxas com cobras e lagartos
em seu caldeirão. 
A Bruxaria sempre foi relacionada a répteis: lagartos, cobras ou sapos sempre estiveram presente no imaginário Bruxesco. Simbolicamente, além de estarem relacionados muitas vezes ao Submundo, esses animais estão relacionados às profundezas e escuridão da própria Terra em si. Um Bruxo ou uma Bruxa não poderia deixar de ver na grama verde, na terra preta, na pedra da montanha ou na água do mar uma parte inseparável do seu corpo físico, como seus braços ou suas pernas. 

Os quatro elementos da Natureza não são só isso: eles estão fora e dentro de nós, operando o tempo todo e, quase sempre, em perfeita sincronia. A mesma pedra escura e sólida da montanha está no nosso corpo físico. O ar que corre pelos ventos é o mesmo que passa pelos nossos pulmões, o mesmo fogo que crepita nas velas dos rituais é o fogo que arde no nosso interior quando sentimos paixão ou raiva. A água, uma hora pode estar caindo do céu pela chuva, mas em outro momento, essa mesma água se transforma em lágrimas que deslizam pelo nosso rosto feliz ou cansado. 

Um Bruxo deve ter consciência de que a Vida é sagrada e ela é sempre manifestada pela dança, pela música, pelo sexo, pelo toque, pelo abraço e pelo pé no chão, cru, e sem sapato mesmo. 

Viver isso é um exercício constante. Mas enquanto não nos damos conta da complexidade desse Mundo, não podemos conhecer os outros. Como eu já disse em outro momento: achar que a Natureza é bela e sagrada, muita gente acha. Mas poucos dizem isso à Ela, e sem dúvida os que dialogam dessa forma, não são outra coisa senão Bruxos. 

2 comentários:

lucidoseextasiados disse...

Muuuuuuito bom, a leitura é bem simples e boa de entender. Gostei mesmo. Continue com a arte de divulgar. \o/

ze barto disse...

Ola! Tudo Bem! Me nome é Zé Barto
e visitei o seu blog e gostei muito. Entrei como
Seguidor se não se importa. Parabéns pelo seu blog
e boa sorte. Gostamos de literatura.
E o blog meu.
http://zebarto.blogspot.com.br/