quinta-feira, 12 de julho de 2012

TOP 15: As Bruxas mais inspiradoras e/ou influentes da história (Parte 1).

Ava Gardner em 1940.

Beirando a sexta-feira 13, resolvi planejar esse post com antecedência. 

Há pouco menos de uma semana lancei uma enquete no facebook para o pessoal votar em uma lista das bruxas e feiticeiras mais inspiradoras da história, das artes, do cinema ou da literatura. Ainda que não concorde exatamente com a reprodução feita na lista, a fim de ser o mais democrático possível, vou reproduzir tal como foram votados os 840 votos (até o momento). 

Resolvi selecionar somente as personagens femininas, por serem as mais influentes no imaginário popular. Ao magos e bruxos, eu reservo outra enquete para a próxima semana. Das 196 opções votadas, então, selecionei as Top 15. Vamos à elas:


15. Endora. 

Interpretada por Agnes, Endora ficou
eternizada. 
Do seriado "Bewitched", é interpretada por Agnes Moorehead, sendo a mãe de Samanta (Elizabet Montgomery). Samanta é uma bruxa que, apaixonada pelo mortal Darrin (interpretado por Dick York e mais tarde por Dick Sargent) resolve casar-se com ele contra o consentimento da mãe. Samanta casa-se com Darin, mas sem ocultar-lhe que é uma bruxa. Casam-se com o acordo de que Samanta será uma dona de casa normal e nunca irá recorrer à bruxaria para resolverem seus problemas, mas é evidente que isso não acontece ao longo dos 8 anos do seriado, desde 1964. 

Darrin e sua sogra Endora nunca se deram bem, o que sempre proporcionou engraçadíssimas discussões. A sogra de propósito trocava o nome do genro de Darrin para Dumb (burro), pois ria do tamanho das suas orelhas, junto a outros trocadilhos interessantíssimos. Endora nunca entendeu como Samanta desejou renunciar à vida milenar de bruxa para tentar ser uma mortal, uma vez que Darrin não gostava nem um pouco de feitiçarias. Enquanto a filha se preocupava com os afazeres domésticos, Endora viajava ao mundo com um simples estalar de dedos. Tomava café na Paris, por vezes almoçava em Roma, também viajava ao Oriente para descontrair, e assim foi por toda a sua vida, sempre cheia de estilo com uma pitada de ironia e sarcasmo com a vida mortal. "O que os humanos chamam de 'vida normal', para nós, bruxas, é uma idiotice" dizia. 

O seriado de grande sucesso foi adaptado para o cinema em 2005 com o filme homônimo. Shirley MacLaine que interpreta Endora dá uma surpresa interessantíssima no final. 

Endora começa essa lista com chave de ouro. 

14. Bruxa do 71. 

Dona Clotilde com seu inseparável vestido
azul. Na maioria das vezes, o chapéu
também era da mesma cor. 
Com certeza essa personagem esteve presente na infância de quase todos que lêem esse blog. Interpretada por Angelines Fernándes desde 1972, Dona Clotilde também foi conhecida como Bruxa do 71, morava na vizinhança da turma do Chaves. Não costumava ter muita paciência com as crianças e sempre foi uma personagem muito enigmática, o que sempre alimentou a imaginação de Chaves e seus amigos – principalmente no clássico episódio em que eles entram para a casa da bruxa e descobrem um cenário sinistro, escuro, com vassouras que voam e caldeirões que fervem. 

A Bruxa do 71 tinha um pequeno cachorro que chamava-se Satanás e por vezes, quando procurava o cãozinho chamava-o "Satanás, venha cá! Onde está você, Satanás?" e as crianças da vila, ouvindo, achavam que a mulher estava invocando o próprio Diabo. Mas Dona Florinda também era uma mulher apaixonada, caía de amores por seu Madruga, o vizinho. Por muito tempo tentou conquistar o seu coração preparando sobremesas e frangos assados, mas sempre que as crianças percebiam isso (principalmente Chiquinha, filha do seu Madruga), davam um jeito de roubar a comida, acreditando que estava enfeitiçada. 

A Bruxa do 71 é importante pois marcou nossa infância e nosso imaginário inocente no que toca à bruxaria e nosso fascínio em relação aos aspectos "sombrios" ao lado dos engraçados dessa personagem. 

13. Medéia. 

Na foto, Medéia é interpretada por Maria
Callas. O filme tem pra baixar aqui no blog
mesmo na seção "Filmes".
Personagem presente no mito e na literatura do mundo Antigo, registrada desde o séc. III A.E.C. aproximadamente, é provável que esteja no final dessa lista devido a sua impopularidade frente a sua atitude de ter matado seus filhos em um ato de vingança contra o marido que lhe abandonara por outra mulher. 

Medéia é terrivelmente fascinante pois mistura dialeticamente sentimentos de ódio e de amor, de caos e ordem dentro de si, não sendo à toa que é uma das feiticeiras mais conhecidas ao longo de toda a história ocidental. Sua história está relacionada à Jasão e os Argonautas: Depois que chega a idade adulta, Jasão parte para Corinto para tomar o seu lugar de rei, que lhe é de direito. Para provar o valor do postulante à monarca, o atual rei de Corinto lhe manda ir à Cólquida, lugar onde se encontra um velocino de ouro (a lã, de ouro, de um carneiro sagrado) protegida por um dragão. Lá vive a sacerdotisa Medéia que (alguns dizem que por obra de Afrodite e Eros), apaixona-se por Jasão. Em algumas versões, mata o irmão para dar-lhe o velocino de ouro, em outras versões, faz um unguento mágico que faz com o que o dragão adormeça e dá espaço, então, para Jasão roubá-lo. Tomada pelo amor, Medéia trai sua pátria e volta com Jasão à Corinto através do navio Argos. 

Lá, tem três filhos com o homem, o que não impediu que Jasão traísse a mulher que tanto lhe ajudou com suas artes mágicas. Jasão casa com a filha do atual rei, chamada Creúsa, e expulsa Medéia de Corinto. É então que a sacerdotisa tece um vestido e um colar de jóias e banha-os no veneno. Envia-os para Creúsa, a nova esposa de Jasão, e ela em sua ingenuidade mortal, veste-os, sendo queimada viva com a roupa no corpo. Medéia para fazer sofrer ainda mais o marido traidor, mata seus três filhos e vai embora. 

Ao menos essa é a versão de Eurípedes. Há quem diga que, na verdade, o escritor recebeu uma alta quantia em dinheiro por parte dos cidadãos de Corinto para modificar o final da história que chegou até ele: que Medéia não teve tempo, em sua fuga, de levar os filhos e que por isso, por vingança, os cidadãos de Corinto apedrejaram os filhos de Jasão até a morte. Talvez os contemporâneos de Jasão preferissem uma nova versão à essa. 

Medéia simboliza o amor traído, a vingança, a incompreensão de um ser mágico num mundo mortal. Compreender o mito de Medéia dentro da Bruxaria é um desafio importante. 

12. Sabrina, a aprendiz de Feiticeira. 

Sabrina, interpretada por Melissa Joan
Hart
e o gato Salém.
Já em um mundo relativamente contemporâneo ao nosso, a história de Sabrina é inspirada na história em quadrinhos da Archie Comics e apareceu pela primeira vez em 1962, mas ganhou uma história própria somente em 1971 que lhe rendeu 77 edições. Também foi feito um desenho animado sobre a história de Sabrina, passou por algum tempo nas manhãs no SBT. 

A história que mais conhecemos atualmente é a do seriado norte-americano produzido pela ABC desde 1996 até 2000. Sabrina Spellman é uma bruxa adolescente que só descobre seus poderes mágicos com 16 anos, quando vai morar com as excêntricas tias Hilda e Zelda Spellman. Ambas vivem com o gato falante chamado Salém, que na verdade é um bruxo aprisionado na forma de gato: talvez seja esse o personagem mais fascinante de todo o enredo da história de Sabrina, ao menos ao meu ver. Salém é irônico e inteligente devido a sua ancestralidade bruxa, mas por estar aprisionado à forma felina acaba por se acostumar com o cotidiano preguiçoso e engraçado de um gato. 

Sabrina não pode contar aos seus amigo mortais sobre suas práticas de feitiçaria, nem mesmo ao seu namorado Harvey. Com o tempo, Harvey descobre por si próprio que Sabrina é uma bruxa. Ao longo do desenvolvimento do seriado Sabrina estuda em uma escola normal, mas também em uma escola de bruxas, depois vai para a faculdade, quando termina o namoro com Harvey e lá também começa o namoro com outros rapazes, mas no último episódio da última temporada acaba terminando a história com seu primeiro amor. 

A história de Sabrina além de falar de seus dilemas adolescentes, de seus amores, de suas desventuras e da sua capacidade de ser uma pessoa "normal" ou mortal, ainda que também fosse uma bruxa de verdade, também fala – em uma linguagem teen evidentemente – sobre a dificuldade de oscilar entre os mundos mágico e mortal. 

11. Marie Laveau. 

Marie, pintada por Frank Schneider.
Personagem histórica norte-americana, viveu entre 1782 e 1881, renomada praticante de Vodoo de Lousiana, Nova Orleans, e até hoje é conhecida como a "Rainha dos Vodoos", tendo alcançado, em vida, um grande reconhecimento devido à suas capacidades mágicas. Dizem que tinha uma cobra chamada Zumbi que lhe auxiliava nas operações de Vodoo. É dito que seu ofício era uma mistura sincrética de elementos cristãos e africanos. 

Filha de um fazendeiro branco e de uma negra, acredita-se que Marie Laveau tenha nascido livre. Mais tarde casou-se com Jacques Paris, um negro também livre do Haiti. Depois da morte de Paris, juntou-se com outro homem, Christophe Glapion, com quem viveu até a sua morte. Foi dito que trabalhava como cabelereira para as mulheres brancas da alta sociedade e que aí começou a tecer uma ampla rede de informantes, inclusive mais tarde quando gerenciava seu próprio bordel, e era dessa forma que "descobria" a vida dos seus clientes, atribuindo aos poderes paranormais. 

Marie Laveau vivera em uma sociedade puritana, e é evidente que esse tipo de argumento também fosse comum para desmerecer seu ofício. Chegou a ser tão conhecida que é dito que em 1874 cerca de 12 mil pessoas se juntaram, negros e brancos, para assistir às suas ritualísticas na véspera de São João no Lago Pontchartrain. Depois da sua morte, sua filha Marie Laveau II continuou com algum tempo com sua Arte. 

Seu renome chega até hoje: em seu túmulo muito visitado no Sant Louis Cemetery várias pessoas desenham três cruzes, em formato de X, para que Marie Laveau atenda a algum pedido. Recebeu homenagens de vários músicos de blues, country e rock como por exemplo Dr. John, Grant Lee Buffalo, Bobby Bare, Redbone, Jimmy Buffett ou Craig Klein. "Marie Laveau" foi o título de várias músicas. 

10. Bruxa de Évora 

Capa de uma antiga edição de um dos
volumes atribuídos à Bruxa de Évora.
Em primeiro lugar, somos obrigados a lembrar da dificuldade de situar historicamente essa personagem, mas  independente de quando, onde e de fato existiu, o que importa é a consequência que essa fascinante personagem imprimiu na nossa mentalidade e no nosso imaginário, principalmente luso-brasileiro. 

A primeira versão é a de que a Bruxa de Évora foi contemporânea à São Cipriano, que antes de ser canonizado era conhecido como Cipriano de Antioquia, e isso remonta, pelo menos ao séc. III E.C. A Bruxa de Évora teria sido mestra de São Cipriano na Mesopotâmia, Babilônia, tido como um imortante centro cultural e de proliferação do conhecimento mágico dos Caldeus. Évora legou à ele, depois da sua morte, todos os seus escritos. No entanto, se Cipriano é tido como um dos maiores "magos negros" da história, não o foi sem  o exímio conhecimento dessa mulher nas artes mágicas. 

"Évora" é uma cidade portuguesa, sendo essa a origem mais conhecida da Bruxa. Ainda assim, também não podemos esquecer que Évora, como é hoje conhecida, era uma cidade romana dos primeiros séculos da nossa era conhecida como Libetalitas Julia, mas segundo Plínio, popularmente conhecida como Ebora Cerealis, por causa dos campos de trigo que eram comuns na região. 

Pode ser que Évora venha de Yeborath, ou Iébora do árabe يعبره significando "cruzado", "cruzamento", ou "encruzilhada". A Bruxa de Évora seria, então, uma Bruxa que operava nas Encruzilhadas. Outra interpretação, igualmente aceita, é devido ao período histórico das Cruzadas em que houve uma imensa troca cultural entre árabes, muçulmanos, portugueses e espanhóis.  É dito que a Bruxa era vista nas ruínas do castelo de Giraldo, em Évora. 

A Bruxa de Évora compõe o típico modelo da "bruxa" medieval, própria ao mundo ibérico: ela é eternamente jovem, opera por meio de magia negra, por vezes foi tida como uma velha penitente e cristã, era vista voando em um bode preto, também era tida como uma mulher sábia que conhecia as estrelas, falava árabe, português gaélico e latim... E são vários os feitiços atribuídos à essa mulher. 

Sendo um grande mistério, não sabemos onde mito e realidade se misturam, o que sabemos é o suficiente: através dela, a Bruxaria sobreviveu ao longo de vários séculos no nosso imaginário ancestral. 

9. A Rainha Malvada da Branca de Neve.

Rainha Má, pelos traços da Disney.
“Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu?” é a clássica dessa bruxa. Escrita entre 1812 e 1822, mas com a Rainha sendo reratada no estilo das femme fatale e eternizada pelo traços do desenho da Disney, a Rainha Malvada (em seu aspecto como Rainha, e não como a velhinha da maçã) tornou-se um símbolo de sedução e poder ao lado da bondade cor-de-rosa até, diríamos, sem graça da Branca de Neve.

A Rainha Má pode ser tanto bela quanto a mais horrorosa das mulheres, e se torna isso quando transforma-se na velha que oferece a maçã para Branca de Neve. Como uma verdadeira bruxa, oscila entre a Beleza e a Feiura, que podem ser simbolizadas pelo mundo Sagrado e Profano. Quanto à maçã, como todos sabemos, é o símbolo de Vênus, deusa do Amor, mas também é o símbolo do conhecimento e da sabedoria, desde que Eva a comeu inicialmente e ela e Adão foram expulsos do Paraíso. A Rainha que oferece uma maçã para Branca de Neve é, então, na verdade, depois de todas as provações que fez a donzela passar, a Iniciadora responsável por lhe oferecer o Conhecimento no final de contas. Afinal, não fosse a fuga da Branca de Neve do Castelo causada pela Rainha e as perseguições que sofreu, nunca teria sido encontrada pelo Príncipe.

Em defesa das bruxas, sempre insisti que as bruxas tem, em verdade, em todas as histórias infantis, um aspecto simbólico e iniciático muito forte, pois sempre são inculcadas à ela toda as maldades, mas se não fossem essas maldades, não existiriam os finais felizes. Em última instância, então, as bruxas é que são responsáveis pela felicidade das princesas. E no que toca a Rainha Má isso não é exceção!

... O resto, fica aqui, postado na sexta-feira 13! Aguardo vocês!


2 comentários:

Emanuel disse...

Cara, impossível não seguir seu blog - é sempre muito bom !!!
Obrigado!!!

Carol Martins disse...


Só uma observação a respeito da Bruxa do 71: "mas Dona Florinda também era uma mulher apaixonada"... Se não me engano, o nome da personagem é Clotilde. (:

Por fim, adorei seu blog! Cheguei aqui por causa de um post sobre American Horror Story e não consigo parar de ler outros posts! Parabéns!