sexta-feira, 13 de julho de 2012

TOP 15: As Bruxas mais inspiradoras e/ou influentes da história (Parte 2).



A Samanta de Elizabeth Montgomery ficou de fora, mas o seriado foi muito bem
representado por Endora, na lista anterior. 
Continuando o ranking começado ontem, aqui seguem as colocadas do 8º ao 1º lugar. Vamos à elas!


Só pra resumir, em 15º ficou a Endora, mãe de Samanta no seriado Bewitched, em 14º ficou a inesquecível e apaixonada Bruxa do 71, do seriado Chaves, em 13º a muitas vezes incompreendida Medéia da literatura antiga, em 12º a Sabrina, aprendiz de Feiticeira, que sem dúvida acompanhou a geração de adolescentes e/ou crianças da transição dos anos 90 para os anos 2000, ainda que a personagem já seja muito mais antiga. Em 11º Marie Laveau, tida como a "Rainha do Vodoo" da Louisiana, seguida da Bruxa de Évora em 10º lugar e antecipada, então, pela Rainha Má da Branca de Neve em 9º lugar.

Quem quiser saber mais sobre as outras bruxas, só clicar aqui e ler o post anterior. Segue agora, o restante! 

8. Elvira, a Rainha das Trevas.

Aqui, é a Bruxa em seu aspecto sexual e marginal dentro de uma sociedade de falsos valores puritanos. Interpretada por Cassandra Peterson no filme de 1988, Elvira é apresentadora de um programa de televisão decadente sobre filmes de terror. Mas a luz do fim do túnel é o recebimento inesperado da herança de sua tia Morgana Peterson, interpretada pela mesma atriz.

A tia Morgana, então, lhe proporciona uma interessantíssima mansão em Fallwell, Massachussets, uma cidade não menos interessante de 1313 habitantes. Elvira encontra oposição pelos moradores da cidade no que toca à sua presença, que não aceitam seu modo de comportar e se vestir, bem como ao do seu tio que, apesar de não ter herdado nada, deseja ardentemente um livro de feitiços que dá a Elvira uma série de poderes de Bruxa, que torna o filme muito engraçado e interessante.

Elvira é fascinante, é uma personagem querida e sedutora – quem não se lembra de sua dança especial? O que mais gosto de destacar nessa personagem, como já disse, é sua excentricidade dentro e sua natureza “das trevas” que aqui nenhuma relação tem com o lado “mau” ou “ruim” da natureza humana, mas diferente disso, está relacionado ao lado “marginal” de uma sociedade baseada em falsos valores apolíneos de “luz” onde as pessoas não sabem lidar com suas verdadeiras sombras, surgindo daí o puritanismo e o falso moralismo sexual.

Elvira, diferente disso, é a aceitação e a boa-convivência de “luz” e “trevas”, o que lhe dá, então, o interessantíssimo título de Rainha das Trevas.

7. Irmãs Owens.

As irmãs interpretadas por Sandra
Bullock 
Nicole Kidman não
tiveram problemas em dividir o
sétimo lugar.
Havia sido destacado, na enquete original do facebook, a necessidade de se votar em uma só personagem por vez. Não sei se por desatenção, ou até mesmo necessidade de se analisar essas personagens de Alice Hoffman em conjunto, sendo empobrecida a análise individual dessas bruxas, ambas foram votadas de uma só vez. Façamos então uma exceção: as irmãs Owens dividem, então, o 7º lugar do nosso ranking.

A história é clássica. As meninas perdem os pais, vão morar com as tias bruxas e solteironas e lá desenvolvem o seu ofício mágico, a história tornou-se amplamente conhecida pelo filme de Griffin Dunne de 1998 tendo Sandra Bullock como Sally e Nicole Kidman como Gillian.

Acredito que a ruiva e a morena dessa dupla mágica representam, em primeira instância, o yin e yang de uma bruxa passional. Enquanto que Sally é emotiva, acredita no amor verdadeiro e no casamento no melhor estilo de “viveram felizes para sempre”, Gillian, por sua vez, é mais excêntrica, foge de casa ainda adolescente, bebe, fuma e teve uma série de parceiros sexuais, consciente da maldição da família de que o amor de qualquer Owens estaria fadado ao fracasso.

Sally e Gillian representam, respectivamente, o amor e a paixão, o ser e o estar, o sagrado e o profano, dos quais, uma coisa não seria nada sem a outra. E quando eu falo em amor eu me refiro ao Amor verdadeiro e superior, que faz toda magia acontecer, ainda que no filme, é evidente, isso seja relatado de uma forma poética hollywoodiana. Já dizia Aleister Crowley:  “Amor é a Lei. Amor sob Vontade”. E a história dessas fascinantes deixam isso muito claro.

O filme tem mais de 10 anos e continua alimentando o coração de muitos de nós. Aqui [www.diannusdonemi.com.br/p/filmes.html] mesmo no blog temos um link pra baixar o filme com uma pequena análise da história.

6. Joana D’Arc.

Joana D'Arc em iluminura medieval.
Ainda hoje, é difícil saber se Joana D’Arc de fato fora uma bruxa ou não. O que importa aqui é que a “Donzela de Orleans” foi sentenciada à morte como tal, por ter sido contra os ingleses, por vestir-se de homem resumindo assim heresia e assassinato, sendo queimada, então, como uma feiticeira, ainda que fosse canonizada quase 500 anos depois da sua morte. E aqui, fica nossa homenagem.

Jeanne nasceu em Domrémy-la-Pucelle, acredita-se que em 1412. De família pobre, camponesa e analfabeta. Sempre foi muito religiosa, ia com frequência à igreja até o tempo em que começou a ouvir “vozes” com 13 anos. Com o tempo, diziam que deveria ir até Paris e defender a França contra o domínio inglês, e foi o que fez. Luta na Guerra dos Cem Anos, conhece o próprio Carlos VII, quem lhe concede o comando das tropas francesas. Joana chegou a liderar 4000 homens, mas é capturada pelos borguinhões, aliados da Inglaterra, quando então é processada e executada.

No seu processo, Joana confessa que, com suas amigas, ainda criança, dançava em volta de uma chamada “Árvore da Fada”, onde pendurava guirlandas e cantava com as outras meninas, o que já levantou suspeitas de reprovação por parte dos clérigos do tribunal. Isso somado ao fato de que ouvia vozes divinas foi o suficiente para argumentar que Joana era, de fato, uma bruxa. Margaret Murray acreditou que, de fato, se tratava de um ofício Bruxo. Historiadores atuais discordam dessa interpretação, mas que a acusação de Joana deu-se por motivos mais políticos que religiosos.

Da mesma forma que não existem provas de que Joana era de fato uma bruxa, não existem também, provas do contrário. A cultura de Joana era uma cultura camponesa, com resquícios de paganismo, sempre teve uma vida próxima à natureza e sempre teve um forte contato com o mundo divino/espiritual. E foi morta por isso.

Ainda que uma santa cristã, Joana D’Arc também pode ser vista com inspiração. O aspecto bruxo da coragem e da força de vontade, seguido da resignação e da falta de reconhecimento das seus dons por parte de um mundo profano e ignorante.

5. Cassandra.

Aqui, Cassandra (Evelyn 
De Morgan, 1898) apavorada
enquanto Tróia arde em chamas.
Filha do rei Príamo e da rainha Hécuba de Tróia, Cassandra desde o rapto de Helena soube da destruição da sua amada cidade, mas nunca ninguém deu a devida atenção às suas premonições. Helena, então pode ser tida como uma bruxa que vê no seu ofício um dom e uma maldição, o que não é diferente do Caminho Bruxo na realidade.

Cassandra era sacerdotisa no tempo de Apolo em Tróia. Apolo, então, apaixonado por sua mortal sacerdotisa, ofereceu-lhe o dom poder prever o futuro, em troca do seu amor. Cassandra, fascinada com a ideia, aceita a troca e recebe o preá sente. Porém, mais tarde, recusa-se a deitar-se com o deus, e como Apolo já não podia mais remover a benção que havia derramado sobre Cassandra, decide amaldiçoar-lhe por isso. Apesar de ter o poder da premonição, jamais ninguém daria ouvido a suas profecias, e foi o que aconteceu.

O último episódio de sua maldição foi o da chegada do Cavalo de Tróia. Os troianos, fascinados pelo presente dos gregos, que entenderam como uma rendição depois de anos de batalha, trouxeram o presente para dentro dos portões da cidade, ainda os avisos e os gritos de Cassandra, por vezes tida como louca por isso. mais tarde, como todos sabem, os gregos saíram do cavalo, incendiaram Tróia e Cassandra, segundo algumas versões foi escravizada, segundo outras foi morta.

Cassandra, então, configura o aspecto do “calar” na Bruxaria. Esse aspecto é muito conhecido por aqueles que praticam a arte do tarot, das runas ou de qualquer arte divinatória. Nós bem sabemos que nem sempre as pessoas estão preparadas para ouvir as devidas verdades. Quando as ouvem, ignoram-nas, como faziam os contemporâneos de Cassandra.

4. Aradia.

Capa da primeira edição do livro de
Charles Lelland que transcreveu
as lendas orais acerca de Aradia.
Se o catolicismo tem por Jesus o seu Salvador, algumas vertentes da Stregheria (Bruxaria Tradicional Italiana) tem por Aradia a própria enviada de mortal da Deusa Diana. Por mais de uma vez foi perseguida pelo clero e torturada, mas fugiu todas as vezes. Na sua última fuga, informou aos seus seguidores sobre o texto conhecido como “A Carga da Deusa” e lhes ensinou como deveriam adorar Diana, com dança, bolos e vinho.

Diz-se que nasceu em 13 de agosto de 1313 em Volterra, na Itália, e teria sido enviada pela própria Deusa para libertar homens e mulheres da escravidão do cristianismo medieval. Foi conhecida como La Bella Peregrina, pois era isso que fazia: caminhava, como uma peregrina, re-ensinando a Vechia Religione aos camponeses como uma forma de libertação. Ensinava sobre o poder maravilhoso da Natureza, lhes ensinava como proceder com rituais da lua e do sol, falava sobre o amor, sobre a nudez – que via como símbolo do sagrado –, sobre o poder da magia e das reticências que deveriam ter para com os cristãos dentre muitas outras coisas.

Os conhecidos 13 conselhos de Aradia se referem à tudo que uma bruxa deve saber. São eles: Atrair o sucesso nos assuntos do coração; saber abençoar e consagrar; falar com os espíritos; saber das coisas ocultas; chamar espíritos (saber invocar e evocar); conhecer a voz do Vento; ter o conhecimento da transformação; ter o conhecimento da divinação; conhecer os Sinais Secretos; curar males; trazer a beleza; ter influência sobre as feras selvagens e conhecer o segredo das mãos.

Basicamente todas essas informações estão registradas pelo livro do pesquisador Charles Lelland Aradia: O Evangelho das Bruxas. O italiano Raven Grimasssi também escreveu sobre Aradia posteriormente. É evidente que a história de Aradia também é um mito onde é trabalhoso detectar onde fatos históricos se confundem com folclore. O que importa é sua história e sua rememoração que é feita até hoje.

Aradia, então, configura o aspecto salvador e libertador da Bruxaria.

3. Circe.


Circe oferecendo uma taça a Ulisses 
(John William Waterhouse).
O troféu de prata do nosso pequeno ranking vai pra Circe, personagem do mundo Antigo que além de feiticeira também era uma deusa. Sua passagem na história mais conhecida foi a que ficou registrada por Homero na Odisséia, no que toca ao seu encontro com Ulisses e os demais membros da tribulação enquanto voltavam da guerra de Tróia rumo à Ítaca. Circe vivia cercada pela natureza selvagem e transformava aqueles que recusavam o seu amor, em animais ferozes. 

Filha direta do Sol, reinava na Ilha de Eana, quando Ulisses e seus homens lá desembarcaram. Lá, após recepcioná-los e servir-lhes um banquete, transformou todos os tripulantes em porcos e quase fez o mesmo com o próprio Ulisses, que se não fosse a ajuda de Hermes, também teria ido parar no chiqueiro. Ulisses, desembainhando sua espada, obrigou Circe a fazer com que os outros homens voltassem ao normal. Lá continuaram, então, festejando com deliciosos banquetes ao longo de vários e vários dias, a ponto de que por muito pouco Ulisses não se esqueceu por completo da sua volta a Ítaca.

Quando decidiram partir, Circe ensinou-lhes como deveriam passar pelas sereias e seguindo suas instruções, conseguiram passar por ela a salvo. Também é dito que Circe e Ulisses tiveram um filho chamado Telegonus, que mais tarde acidentalmente matou o pai e Circe, com seus conhecimentos mágicos, ressuscitou-o.

Circe representa, então, o aspecto transformador da Bruxaria. Circe é uma deusa que tem muito a oferecer aos mortais, mas são poucos aquelesq que sabem apreciar as suas bênçãos. Como patrona dos animais ferozes, rege tudo o que é selvagem e livre, mas os mortais não tem capacidade de compreender esse seu domínio. Porém, quando isso acontece (como foi com Ulisses), Circe pôde agraciar seus visitantes com o dom da cura e da sabedoria.

2. Viviane do Lago.


Viviane foi eternizada com a interpretação de Houston.

Também conhecida como Dama do Lago ou Viviane de Avalon, é impossível esquecer que essa personagem foi, na verdade, eternizada no nosso imaginário com a atuação da maravilhosa Anjelica Huston em As Brumas de Avalon, filme de 2001 e inspirado nos 4 volumes homônimos de Marion Zimmer Bradley.

É evidente que os livros entraram muito mais a fundo na personagem, mas não podemos deixar de levar em conta que Viviane é uma personagem muito mais antiga. As lendas arturianas são, na verdade, lendas celtas que foram cristianizadas pelos copistas da Alta e Baixa Idade Média, mas vou me deter aos aspectos da Viviane de Bradley, fonte que mais tive contato até então. A grossas linhas, Viviane era a maior sacerdotisa de Avalon, irmã de Igraine e, portanto, tia do próprio Rei Artur. Viviane era austera, sábia, rígida e sacrificara toda a sua vida em defesa do culto da Grande Deusa, não só em Avalon, mas fora da ilha também.

Foi graças às artimanhas de Viviane que Artur foi concebido, foi graças à ela que a ordem sempre manteve-se em Camelot, mas depois da sua morte, tudo começa a declinar. Viviane representaria o poder real vindo da própria Deusa, pois ainda para muitos critãos, ainda que pagã, Viviane ainda era uma autoridade a ser respeitada, e era dito que por onde passava, todos temiam frente a sua presença. Viviane representa a autoridade máxima do poder feminino, da vida, da criação e da fertilidade, por vezes um poder até despótico.

Foi Viviane que instruiu Morgana a tecer a bainha para a espada Excalibur para Artur, mas à sacerdotisa mais velha que foi reservada a missão de proteger e entregar a espada para o guerreiro.

O que Viviane traz, então, é o aspecto da sabedoria anciã, da resignação, e da submissão total frente aos desígnios do mundo Divino, quer chamemos Deusa, Deus ou Deuses.



1. Fada Morgana.


Morgan Le Fay (Anthony Frederick
Sandys, 1864). Detalhe nos 
votivos celtas do seu vestido.
Nosso troféu de ouro vai para a também conhecida como Morgana de Avalon ou Morgana das Fadas, que também pertence ao ciclo arturiano, interpretada no cinema pelo filme acima mencionado pela atriz Julianna Marguiles.

Até Marion Zimmer Bradley recontar a história do Rei Artur sob um ponto de vista feminino e pagão, tal mito era sempre contado sob uma perspectiva cristã e masculina, não sendo à toa que Morgana sempre fora representada como um ser diabólico, malévolo a fim de destruir o maravilhoso trabalho do seu meio-irmão Artur por pura e simplesmente maldade

Porém, é na obra de Bradley que vemos Morgana então, pela primeira vez na história, narrando a história sob sua perspectiva, em primeira pessoa. Morgana, também filha de Igraine, deita-se com o seu meio-irmão em um ritual de Beltane sem saber de quem se tratava. Quando descobre o que foi feito, traída, Morgana dá as costas ao sacerdócio de Avalon e vive um vida à margem dos acontecimentos de Camelot dando seu filho Gwyddion para sua tia Morgause criar, o que faz com que o destino de Camelot planejado por Viviane e Merlin tenha seu curso totalmente transformado.

Morgana representa, antes de mais nada, a incompreensão bruxa pelo simples fato de ter sido retratada ao longo dos séculos como um ser diabólico. Depois disso, Morgana, assim como Viviane, por terem sido treinadas na Ilha de Avalon, representam o aspecto real e sagrado do ofício mágico. Morgana também traz consigo uma sexualidade totalmente livre dos pudores judaico-cristãos, e por fim, o poder de mover as peças de uma história, ainda que sempre atue sob as sombras e na margem dos acontecimentos “oficiais”. A figura de Morgana é fundamental no ciclo arturiano, mas essa percepção só é evidente quando nos debruçamos com calma sobre sua história.

O que a Fada Morgana traz, então, é o aspecto marginal e periférico do Saber Bruxo. Sendo assim, não podia ser diferente que ocupasse o primeiro lugar. Seu nome foi eternizado, sendo a palavra “Morgana” dificilmente desacompanhada de conceitos do gênero “malefício”, “bruxa” ou “bruxaria”.

Espero verdadeiramente que tenham gostado, deu um trabalhão escrever tudo isso! Particularmente trocaria algumas colocações e colocaria novos personagens, mas fui fiel aos votos dos leitores!

Nas próximas semanas, o ranking da cuecada, sendo a primeira vez reservada às damas, daqui há alguns dias, vamos conhecer a vez dos magos e bruxos mais influentes da história!


4 comentários:

Katharina Dupont disse...

Adoramos!!! Dei risadas sozinha ao relembrar a dancinha da Elvira, Rainha das Trevas hehe e o primeiro lugar é super justo!

Anônimo disse...

Adoraria saber que personagens vc acrescentaria ou mudaria na lista!

Elaine Figueira disse...

Olá, adorei o post. Não concordo com a Joana D'Arc. Ela foi condenada por bruxaria pois tinha visões que acredito serem um psiquismo dela. Em nenhum momento da historia pelo menos da que li, ela tinha indícios de ser bruxa.

As outras, mesmo no cinema, são maravilhosas e inspiradores.

Anônimo disse...

Devido ao carisma dela, que encantou o exercito, dando incentivo, aumentando o nacionalismo entre os soldados, ela foi acusada de bruxaria e entrou na lenha.