quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Flauta Mágica (Bergman, 1975)



Há quem não goste de óperas adaptadas, e particularmente confesso que também tenho algumas reticências com isso. Porém, para os admiradores desse tipo de arte que não tiveram a oportunidade de assistir o espetáculo presencialmente, tal como eu, é uma boa saída. O original Trollflöjten, em alemão, é uma adaptação da ópera Die Zauberflöte, de Mozart.

A obra começa com o príncipe Tamino, que com a ajuda de três Damas da Rainha da Noite, vence um dragão e acaba adormecendo devido ao cansaço. Mais tarde, a Rainha da Noite apresenta-se a Tamino e mostra um retrato da sua filha, Pamina, na qual o príncipe se apaixona e então a dama promete-lhe a mão da filha em casamento caso consiga resgatá-la das mãos de um tirano que a raptou. Tamino com a ajuda do engraçado Papageno, caçador de pássaros, começa uma jornada em busca de Pamina. Para ajudar-lhes na jornada, Tamino recebe uma flauta mágica que tem o poder de fazer mudar o estado de espírito daqueles que ouvem a canção. Já Papageno, também ganha um garrilhão, uma espécie de conjunto de sinos também com poderes mágicos.


A Flauta Mágica de Mozart antes de mais nada é uma obra carregada de um forte simbolismo místico e uma profunda marca contextualizada historicamente. Tanto Mozart quanto Emanuel Schikaneder – responsável pelo libreto alemão – foram conhecidamente maçons, e não é a toa que a peça carrega consigo profundas marcas dessa simbologia esotérica. De modo geral, A Flauta Mágica trata declaradamente de um processo iniciático, onde desafios são impostos em forma de testes ou graus, e tanto Tamino quanto Pamina têm de passar por algumas delas. Uma vez que Tamino obtém sucesso nessa jornada, representa o homem iluminado, sagrado, que traz consigo o poder da divindade. Já Papageno, sem sucesso, é o homem comum, relacionado a ambições e prazeres carnais e mundanos.

Além disso, tanto a adaptação de Bergman quanto o trabalho de Mozart tratam da transição do mundo medieval para século “das luzes”. A Rainha da Noite, simbolizada pela noite, pela superstição e pela tirania representa esse passado que deve ser abdicado (atentem para a Lua que está frequentemente consigo e os signos zodiacais que organizam-se ao fundo). Já Sarastro, o raptor de Pamina, acaba por simbolizar o progresso, o reinado fundamentado na razão, na liberdade, igualdade e fraternidade. As provações em que Tamino tem de passar para encontrar Pamina não deixa de ser as provações que o homem comum deve passar para tornar-se um Iniciado, Iluminado e não mais um mundano, medieval.

As Três Damas e Tamino.
A Rainha da Noite.
Tamino.
Tamino, Pamina e a Flauta Mágica.
Para assistir: Filme + Legenda.
Sobre o filme: Colorido, áudio em alemão, legendas em português.
Palavras-chave: Ópera, Iluminismo, Iniciação, Maçonaria, Idade Média, Idade Moderna.

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