quinta-feira, 1 de novembro de 2012

A Última Tempestade ou Os Livros de Próspero (Peter Greenaway, 1991)


Peter Greenaway conseguiu me impressionar com esse filme. E aqui uso a palavra “filme” na falta de uma palavra melhor, pois ele pode ser chamado de várias coisas. Mais do que um filme, a obra também é uma peça de teatro, pode soar até como uma ópera apresentada: a beleza da música, da dança e de um impecável trabalho técnico na montagem dos cenários, do figurino, da maquiagem e da fotografia me faz querer acreditar que Greenaway conseguiu reunir nessa história, super conceitual, com perfeição, todas as sete artes.

Baseia-se na obra “Tempestade”, de Shakespeare (já aqui no blog nesse link). Conta a história de Próspero, duque legítimo de Milão que foi deposto pelo irmão usurpador Antônio com a ajuda de Alonso, rei de Nápoles. Próspero é exilado em uma ilha deserta, junto de sua filha, Miranda. Antes de sofrer o exílio, seu amigo e fiel companheiro, Gonçalo, deixou consigo vinte e quatro dos seus livros de magia. E será justamente com o auxílio dessas obras que Próspero arquitetará sua vingança – momento, no qual, a peça decorre.

Por isso o filme se chama “Prospero’s Books”, ou “Os Livros de Próspero”, estranhamente traduzido para o português como “A Última Tempestade”. O filme é dividido em “capítulos”, e cada “capítulo” decorre em função de um livro.

O sentido da história é que Próspero, como um Mago que é, arquiteta e controla o seu destino. O Mago escreve nos seus livros, e depois lê em voz alta: as falas de Próspero muitas vezes são exatamente repetidas e copiadas pelos outros personagens do enredo. As diferentes vozes se entrecruzam, e os homens profanos – esses que não conhecem o Oculto –, como marionetes, são manipuladas pelo Mago que percorre sua própria Jornada espiritual.

Próspero pratica sua magia com a ajuda do espírito Ariel, seu fiel companheiro que lidera os demais espíritos elementais. Em praticamente todas as cenas os personagens estão cercados por uma multidão de espíritos que, como uma extensão da própria natureza, dão vida a tudo o que acontece. Os silfos dançam quando há ventania, as sereias nadam e se entrelaçam nas águas turbulentas, espíritos da terra correm por entre as plantações e também dançam, como em procissão, em quase todos os momentos da história.

O observador atento conseguirá fazer uma reflexão interessante sobre o papel do exercício da Magia em nossas vidas: atuamos como senhores do nosso Destino? Ou como vítimas dele? Manipulamos ou somos manipulados? Comandamos ou somos comandados pela Natureza ao nosso redor?

Bom proveito!

Próspero em sua biblioteca.
MirandaFerdinando e os espíritos.
PrósperoAriel e a demais turba de silfos e ninfas. 
O casamento de Ferdinando Miranda. Detalhe na fotografia. 
Ceres, cantando no casamento de Ferdinando Miranda, onde Íris Juno também aparecem, junto a uma multidão de demais espíritos. Particularmente acho essas cenas as mais bonitas do filme. 
Espírito das águas dançando no oceano.

Para assistir: Filme (link direto) + Legenda (desmarque a opção Use Open Subtitles Manager e clique em descarregar).
Sobre o filme: Colorido, áudio em inglês e legendas em português. 
Palavras-chave: Mitologia, Paganismo, Magia, Feitiçaria, Modernidade, Época vitoriana. 

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