quinta-feira, 1 de novembro de 2012

As Bruxas de Eastwick (George Miller, 1987)

Como a comédia que é, com exceção da trilha sonora (indicado ao Oscar por isso) e de alguns diálogos brilhantes, esse filme de Miller não é dotado de uma história fascinante e tem um final até um tanto quanto decepcionante, ainda que tenha um enredo de muito renome. 

Trouxe ele para a lista do blog por tratar do tema da feitiçaria e por causa de alguns diálogos, esses sim, muito pertinentes, sobre a arte, sobre as mulheres e sobre a natureza humana. 

Alexandra (Cher), Jane (Susan Sarandon) e Sukie (Michelle Pfeiffer) são três solteironas mal-resolvidas emocionalmente que se reúnem toda as quintas-feiras para comer, beber e se divertirem juntas. Alex é uma escultora que trabalha com miniaturas de Vênus de Willendorf. Jane é uma violinista regrada e comedida. Sukie é dona de casa, mãe de 6 crianças. Aqui, as artes e a fertilidade são atributos claramente compartilhado pelas mulheres, que como musas ou feiticeiras, descobrem-se como tal logo no começo do filme. Em um tradicional discurso anual do diretor da escola onde Jane trabalha, interminável e cansativo, ambas não aguentam mais e pedem para que tudo termine rápido. Magicamente, então, começa um temporal. Durante a noite as três se reúnem, e testando seus poderes, pedem por um homem de acordo com os seus desejo: rico, não necessariamente bonito, mas que seja atraente entre outras características. 



Daryl é uma espécie de sedutor diabólico no filme.
A relação amorosa das bruxas com Daryl causa espanto na cidade.
Alex, Jane, Sukie e Daryl. 
As bruxas praticando feitiçaria com boneco feito de cera de vela.
Libertadas pelos seus próprios poderes criativos, elas voam sobre a piscina.

Até que surge então Daryl van Horne (Jack Nicholson) que compra uma mansão local. Daryl é como um demônio, que na posição de um fascinante praticante de feitiçaria, dá tudo o que as bruxas pedem, mas que em troca exige exclusividade como uma espécie de pacto. É onde começa o romance das três mulheres com Daryl, o que choca a pequena e mesquinha comunidade local. Como disse no começo, o que chama a atenção no filme são os diálogos, principalmente os de Daryl. Em certo momento, confessa: 

“Eu vejo homens por aí, metendo seus paus em tudo e tentando fazer algo acontecer. Mas as mulheres são a fonte, o único poder. Natureza, nascimento, renascimento. Clichê, clichê. Claro, mas é a verdade.” 

E mais tarde, ao falar sobre a Inquisição no séc. XIV, também comenta: 

“É só outro exemplo da sociedade dominada pelos homens na exploração das mulheres em benefício próprio. Os homens são uns escrotos, não é? (...) Eles têm medo, ficam de pau mole diante de mulheres de poder e o que fazem? Chamam de bruxas, queimam e torturam...”. 

Mais do que sobre feitiçaria, As Bruxas de Eastwick é um filme sobre o poder da mulher. Daryl abre a mente das mulheres, que se soltam, passam a criar e usufruir da vida como verdadeiras sacerdotisas de si próprias. Ainda assim, vários elementos feiticeiros aparecem no filme: invocações com desenho no sal, feitiço com cerejas, boneco de velas etc. 

Como disse, é um filme agradável, ainda que não seja brilhante. 

Para assistir: Filme + Legenda
Sobre o filme: Colorido, áudio em inglês, legendas em português.
Palavras-chave: Romance, Magia, Feitiçaria, Pacto, Contemporaneidade. 

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