quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Jovens Bruxas (Andrew Fleming, 1998)




"The Craft" de Andrew Fleming é um filme perigoso, bem como falar sobre ele também é. Perigoso essencialmente, por dois motivos: Primeiro, pois é um filme americano para adolescentes, com bons efeitos especiais para a época, com uma trilha sonora sedutora que mistura ação e romance, e toda essa sedução pode levar ao fascínio, que por si só, pode levar ao exagero. Exagero de alguns que acreditam que tudo aquilo pode ser verdade na vida cotidiana, e então explodem as vendas de livros sobre ocultismo e bruxaria e os sites na internet ganham cada vez mais acessos. E assim foi feito na época em que o filme foi lançado. Quando não o exagero, então, vem a total repulsa: O filme é fantasioso, é para adolescentes, é ruim, "não é coerente com a realidade" - e esse último comentário é o que eu acho o mais engraçado de todos! O que eu recomendo aqui, então, é o bom senso com uma pitada de honestidade. 

O filme conta como a bruxa Sarah (Robin Tunney) chega em sua nova cidade, em Los Angeles e encontra um grupo de outras três garotas que também estudam e praticam a bruxaria. Até a chegada de Sarah, as problemáticas Nancy (Fairuza Balk), Bonnie (Neve Campbell) e Rochelle (Rachel True) aguardam "a quarta" participante do círculo, para que a partir de então possam efetuar seus rituais corretamente. Assim é feito, elas formam um pequeno Coven, trabalham e aprendem com isso executando vários rituais ao longo do filme, se alegrando com os bons resultados e outras vezes esquecendo das consequências nem sempre tão boas dos seus pedidos. Basicamente essa é a trama do filme. 


Vários rituais e até idéias sobre a magia que aparecem no longa valem a pena ser discutidos. Gosto muito, por exemplo, da metáfora que Lirio (Assumpta Serna), a dona de uma loja que vende livros, velas e utensílios esotéricos - um espaço muito aconchegante, diga-se de passagem! - usa ao ser questionada sobre como encerrar um feitiço: "Isso não é possível. Você consegue encerrar uma compota depois de aberta?". Essa mesma vendedora alerta para suas clientes desde o significado das cores das velas até a noção wiccana de que todo o tipo de feitiço tende a retornar, para o seu executor, três vezes mais forte. É Lirio que lembra o fato de não existir magia branca ou negra, sendo tudo uma coisa só pois a Natureza não tem cor. 

As jovens bruxas invocam ao longo dos seus rituais uma divindade chamada "Manon" - algumas pessoas defendem que esse nome é um título inventado especificamente para o filme, para evitar que fossem chamadas forças indesejadas de verdade caso usassem o nome de uma divindade real. É o que dizem, não acho impossível que seja verdade. Elas defendem que Manon não é Deus ou o Diabo, mas toda a Natureza em si. Alguns dos ritos são executados com as invocações das Torres de Vigia, sendo essas torres respectivamente os quatro elementos da natureza, finalizando com o pedido de bênçãos de uma Mãe. Utilizam-se de um Athame para o traçado do círculo e mencionam o "perfeito amor e perfeita confiança" entre si, beijando-se em certo momento, antes de seguirem adiante. 

Alguma semelhança com o que leu? Pois é, sem sombra de dúvidas, o filme foi claramente inspirado na religião Wicca para a construção dos rituais que aparecem ao longo da história. É evidente que como o cinema não tem a obrigação da fidelidade com o que é "real" - por isso acho engraçado quando as pessoas criticam um filme porque ele não é "fiel à realidade", uma vez que essa "fidelidade" não deve ser regra - existem muitas coisas fantasiosas que merecem mais críticas do que deveriam: levitações, o famoso glamoury (que sem dificuldades você encontra receitas de como fazer no google), a dualidade de bruxas "do bem" versus bruxas "do mal" e outras coisas do gênero.

Bonnie persuadindo Sarah para roubar um livro.
Sarah na misteriosa loja de Lirio.
Bonnie Rochelle na cerimônia de entrada do Círculo.
Ritual de levitação. 
Invocação na praia.
Voar também. Por que não? 

Enfim, como disse, suas fantasias não devem receber julgamentos negativos por nós, praticantes. É um filme que sim, deve ser visto, por colocar no cinema coisas do nosso cotidiano como crenças, alguns rituais e alguma coisa de mentalidade para, a partir depois que começarem os créditos no final do filme, fazermos nossa própria leitura do que foi mostrado. Costumo ver esse filme como um exemplo da popularidade da Wicca: que traz coisas boas e outras nem tanto, afirmações fantasiosas, genéricas e até mesmo pessoas que, no futuro, possam ser ótimos bruxas e bruxas sem acreditar que possam mudar a cor do cabelo ao passar de uma mão, por exemplo.

Para assistir: Filme (link direto) + Legenda (desmarque a opção Use Open Subtitles Download e clique em descarregar).
Sobre o filme: Áudio em inglês, legendas em português. 
Palavras-chave: Wicca, Bruxaria, Ocultismo, Magia, Contemporaneidade. 


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Um comentário:

Bruno Mascolli disse...

Tenho esse filme dublado, caso queiram.