quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Metrópolis (Fritz Lang, 1927)


Metrópolis é um clássico do expressionismo alemão dos anos 20 cuja admiração sobrevive até hoje. Em parte pela criatividade e talento na aplicação de efeitos especiais megalomaníacos para a época, também sem dúvida devido ao seu caráter ideológico e de contexto social profundamente marcado.

A ficção de Lang trata de uma grande cidade do séc. XXI com altos prédios, pontes, transportes voadores e assim por diante, uma cidade organizada sob as mãos de ferro de Joh Fredersen (Alfred Abel), também chamado "Master" pelos seus subordinados. E lá que se encontram o "Jardim das Delícias", onde os filhos dos grandes empresários de Metrópolis desfrutam de uma vida de prazeres e privilegiada. Porém, todo o luxo e funcionamento pacífico da gigantesca cidade é fundamentado nos trabalhadores do submundo que, ao contrário dos que vivem na superfície, são condenados a trabalhar exaustivamente operando enormes máquinas das quais dependem a cidade, uma massa escravizada de trabalhadores que sustentam o luxo de uma relativa minoria no "mundo externo". 

Em seu contexto claramente político, a ficção trata da sociedade claramente sob os moldes da revolução industrial e sob os moldes de concepções de "evolução", "avanço" e "progresso".

Até que Freder (Gustav Fröhlich), filho de Joh Fredersen, que também desfruta dos prazeres do mundo exterior, descobre Maria (Brigitte Helm), uma espécie de líder espiritual dos trabalhadores de Metrópolis que, acidentalmente, leva Freder até o submundo onde, assistindo a explosão de algumas máquinas que acaba trazendo consigo acidentalmente a morte de vários operadores, continua a funcionar alguns minutos depois como se nada tivesse acontecido, com os trabalhadores sendo substituídos por outros novos. Freder se surpreende com o que encontra, até que vai questionar seu pai sobre o funcionamento da cidade, eis que a história começa. 

Uma série de símbolos religiosos entram em questão, tal como as famosas cenas do pentagrama invertido que é desenhado na parede quando entra em cena o Andróide feito à imagem de Maria, ou seja, a supremacia da matéria sobre a ausência do espírito. À porta da casa de Rotwang (Rudolf Klein-Rogge), também inventor do restante das máquinas de Metrópolis, veremos um pentagrama em posição normal, representnado o conhecimento, a sabedoria, a perfeição. Maria, que também profetiza a vinda de um salvador também é interessante nessa esfera do filme. Freder, como o Adão bíblico, vivera no Jardim das Delícias, tal como o Éden ou o Paraíso, e que através do conhecimento que lhe foi trazido por Maria (Eva), descobriu ser inseparável do desejo de liberdade.

"O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração".

O andróide Maria.
O homem-máquina torna-se o símbolo do domínio da matéria sobre o espírito.
O cientista e sua obra. 

Para assistir: Filme + Legenda (link direto). 
Sobre o filme: Mudo, legendas em português.
Palavras-chave: Sociedade, Romance, Tecnologia, Religião, Revolução Industrial, Futurista.

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