quinta-feira, 1 de novembro de 2012

O Labirinto do Fauno (Guillermo del Toro, 2006)


Sem dúvida é um filme mágico e apaixonante. Del Toro conseguiu captar uma série de mensagens simbólicas e mitológicas e incorporá-las ao filme com maestria. Dentre várias outras interpretações, O Labirinto do Fauno nada mais é que uma jornada mítica, lunar e iniciática de descida ao Submundo.

A história se passa no período histórico das repercussões da Guerra Espanhola. Ofélia (Ivana Baquero) é uma menina órfã de pai que se muda, junto à sua mãe, Carmen (Adriana Gil) para a casa do seu padrasto, o rígido Capitão Vidal (Sergi López). Carmen ensina sua filha a chamar seu novo marido de pai, mas Ofélia ignora totalmente esse pedido da mãe. O mundo em que se encontram atualmente é um mundo de morte, de conflitos violentos e da ditadura fascista. Mas Ofélia como ama ler romances, acaba vivendo um mundo paralelo, maravilhoso e mágico. Conversa com fadas e, por uma delas, é atraída até um labirinto que a leva a uma caverna escondida no submundo, e lá encontra um fauno (Doug Jones) que lhe revela sua nova natureza: Na verdade ela é uma princesa e deve cumprir uma série de obrigações para ser reconhecida como divina.

Algo familiar? A história de Ofélia é claramente inspirada no mito de Prosérpina e Deméter. Mãe e filha muito unidas, passam por um rompimento quando a mais nova desce ao submundo e encontra lá sua verdadeira natureza. O labirinto nada mais é que uma metáfora para a jornada iniciática e do sagrado feminino. O simbolismo da gruta em que Ofélia encontra o Fauno também torna esse especto do submundo e do inconsciente evidentes. Quando perguntado sobre seu nome, o Fauno diz que já foi chamado por muitos nomes, "nomes velhos que apenas o vento e as árvores podem pronunciar. Eu sou a montanha, a floresta e a terra". Nada mais que Pã: pan, "tudo".

Abaixo, algumas cenas do filme: 


Ofélia, logo de início, enfrente a rigidez do seu padrasto, Capitão Vidal.
A fenda na árvore oca também pode ser  uma metáfora para o ventre do Submundo.
Instruída pelo FaunoOfélia se utiliza de uma Mandrágora para curar sua mãe. 
Um dos testes de Ofélia: passar por um rico banquete sem provar de nenhuma fruta.
O Fauno e sua Iniciada.
Ofélia tem que cumprir suas três missões antes de que a lua fique cheia. Isso também torna-se um reflexo dos mitos lunares onde a lua está relacionada a escuridão, ao feminino e ao inconsciente. O "três" também torna-se um símbolo interessante, pois é a quantidade de noites em que a lua desaparece totalmente do céu antes de aparecer pela primeira vez, entre a lua nova e a lua crescente. É o passado, o presente e o futuro. São as três faces de Hécate, deusa do submundo e da noite.

Ao longo da jornada iniciática de Ofélia vários outros mitos são levados em consideração e o caminho termina, então, com a questão sacrificial. A morte para o renascimento.

Para assistir: Legenda + Filme
Sobre o filme: Áudio em espanhol, legendas em português. 
Palavras-chave: Mitologia, Magia, Iniciação, Pã, Contos de fadas, Pós-guerra.

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