quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Paranorman (Chris Butler, Sam Fell, 2012)



Assim como a animação "Valente", indicado ao Oscar de melhor animação, Paranorman conta a história do solitário menino Norman Babcock, que passa a maior parte do seu tempo apreciando filmes de terror e conversando com espíritos, pois sim, ele tem essa habilidade. Poder, inclusive, que o faz ser ridicularizado na escola, sofrendo bullying de Alvin, o valentão, e perder a credibilidade com a sua família que nunca acreditou nos seus dons. É ainda na escola que conhece Neil, o único que acredita na habilidade de Norman de conversar com os mortos. 

O garoto é contatado pelo seu tio, Prenderghast, tido com o louco da cidade que também tem o mesmo poder que o sobrinho. Avisa o garoto que deve evitar que se concretize uma maldição lançada por uma bruxa há três séculos atrás. A história, de idas e vindas, tem início nesse momento.

O que me fez trazer o filme para o blog foi a maneira pela qual o tema “bruxaria” foi utilizado para falar de uma série de coisas que há anos conversamos nesse espaço, ainda que o filme tenha traduzido esses assuntos  para o universo infantil. O filme arrisca falar sobre o medo que as pessoas tem do desconhecido, e de como a posição de desconhecedor pode soar como ameaçadora para pessoas desavisadas. Frente ao que não se conhece, o homem, quando não ridiculariza, sente a necessidade de extirpar o que entende por “mal”. As “bruxas” históricas sofreram desse mal, ainda que saibamos que nem sempre, de fato, fossem praticantes de bruxaria. E o filme também toca nessa ferida.

Mais do que falar sobre o sentimento de ameaça do ser humano frente aquilo que ele desconhece, a história também fala da massa de ignorantes que pode ser movida de forma ofensiva e ameaçadora, tanto pela turba, quanto pela falta de reflexão. A animação, ainda sob uma estética aparentemente infantil, brinca com o lúgubre e a solidão como uma resposta a esse mundo de “luzes” que não iluminam mais que a superfície das coisas.

Norman e o espírito de sua avó. Aqui, como uma espécie de "ancestral protetora". 
Os zumbis atrás da turma de Norman
Os zumbis são, na verdade, os acusadores da um crime de bruxaria que não descansarão enquanto a verdade do julgamento não for revelada. 
Norman e a "bruxa". 
Norman é aficionado por histórias de terror, e a forma pelo qual a história é contada (com o garoto muitas vezes assistindo filmes dentro do filme) traduz justamente a ideia de que os monstros da ficção não são necessariamente muito diferentes dos monstros da vida real. É desse jeito que o filme não só satiriza, mas também homenageia os clássicos do terror com uma produção impecável. 

Para assistir: Filme Dublado
Sobre o filme: Colorido, áudio em português. 
Palavras-chave: Animação, Aventura, Mistério, Terror, Bruxaria, Zumbis, Contemporaneidade. 

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