quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Valente (Mark Andrews, 2012)



Diferente de algumas críticas que li a respeito, Valente, ou “Brave” é inovador. A história fala de uma jovem princesa, Merida, que rompendo com as expectativas tanto dos expectadores desavisados da animação, quanto da sua família na ficção, não quer se casar. Diferente disso, Merida gosta de cavalgar sozinha pelas planícies do seu reino medieval (aparentemente uma Escócia celta), tem os cabelos ruivos desgrenhados e se incomoda com o vestido justo que sua mãe, a rainha Elinor, insiste que use.  É difícil não se apaixonar por essa princesa, que usa toda a sua graciosidade não nas danças com os príncipes, mas no seu manejo com o arco e a flecha. Uma princesa um pouco diferente dos moldes clássicos da Disney.

A rainha insiste que a filha tenha modos, que se comporte como uma princesa, e que se prepare para o casamento, levando muitas vezes a criança a exaustão. Quando a rainha e o rei, Fergus, comunicam a donzela que a escolha do seu noivo está próxima, Merida resolve recorrer a uma bruxa (engraçadíssima, que prefere ser chamada de “carpinteira”) para fazer um feitiço na tentativa de mudar a ideia da sua mãe quanto ao casamento, mas nem tudo sai como planejado. A história se desdobra em uma série de acontecimentos surpreendentes que não deixam de ser reveladores.

Resolvi trazer esse filme para o blog, em primeiro lugar, mas não necessariamente por ordem de importância, o filme seduz pela sua atmosfera pagã. Como já dito, o filme passa nas planícies de uma Escócia celta e medieval, em meio a uma natureza abundante, por vezes ensolarada ou com círculos de pedras erguidas em meio às brumas: uma estética que salta aos olhos de um observador atento. Em segundo lugar, pelo que a princesa Merida representa: assim como a grega Ártemis, é retratada como uma jovem independente, protegida pelo pai (pois incorpora muito dessa identidade masculina) que rompe com o discurso de dama indefesa que precisa ser salva pelo príncipe corajoso. E assim como Ártemis, Merida também porta o arco e a aljava, como símbolo da sua independência, da sua garra e determinação.

Em terceiro lugar, a bruxa aqui representada também de certa forma quebra com o discurso de bruxa má, tão estereotipado na cultura popular e eternizado pela Disney. A bruxa, que insiste em ser chamada de “carpinteira” – e aqui fica o Mistério para os que sabem lê-lo – não tem intenções malignas, muito pelo contrário, só concede aos que a procuram, aquilo que querem. A bruxa está acompanhada de seu familiar, um corvo, e vive isolada da aldeia, como se longe do mundo profano. É através dela que o Mistério é revelado, bem como é ela que mostra o quão desconhecedores são aqueles que buscam o seu auxílio. Isso também não é muito diferente da nossa realidade.

Princesa Merida, com uma espada empunhada, o que já a diferencia das princesas tradicionais. 
A princesa no estilo de uma "Ártemis" celta. 
Enquanto que Merida tem os cabelos ruivos e desgrenhados simbolizando sua força, a mãe, diferente disso, possui os cabelos escuros sempre alinhados, também reflexo da sua personalidade. 
Merida em um círculo mágico de pedras ancestrais.
Por último, e não menos importante, o filme também fala da experiência mitológica. A todo o instante somos levados a crer que histórias nunca são somente histórias, mas que lendas e mitos sempre contém verdades que devem ser descobertas e respeitadas. “Lendas são lições. São cheias de verdades” a narradora insiste em certo momento.

Para assistir: Filme Dublado.
Sobre o filme: Colorido, áudio em português. 
Palavras-chave: Paganismo, Magia, Celtas, Aventura, Idade Média.

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