sábado, 13 de junho de 2015

As "verdades" em Salem (Parte 1)


Salem é uma série de televisão norte-americana do canal WGN America que estreou em 2014 e já está na sua segunda temporada. Você pode encontrar o seriado pra baixar aqui

A trama se passa em Salem, Massachussets, no final do século XVII onde aconteceram, de fato, os históricos julgamentos de bruxaria na região. Houveram centenas de prisões e dezenas de mortes em função da histeria que alastrou-se naquela cidade colonizada por puritanos protestantes. A história, romanceada, também se passa no filme The Crucible (baixe aqui).  

A primeira temporada do seriado criado por Adam Simon e Brannon Braga possui 13 episódios. Apesar de um roteiro que algumas vezes demora para se desenrolar e por uma ou outra atuação que nem sempre convence, a produção de Salem, como um todo, não deixa a desejar: a primeira temporada está com nota 4/5 e a segunda com 4,4/5 no Filmow e no IMDb com 7,2/10

No entanto, o que nos interessa, pelo menos neste momento, é aproximarmo-nos dos aspectos das “verdades” do seriado, ou seja, aqueles elementos que apesar de serem retratados sob o viés do romance e da ficção, refletem importantes elementos filosóficos ou conceituais que estão presentes na Bruxaria “real” que praticamos e que estudamos. 

A trama na série é ficcional, o que quer dizer que temos consciência que o seriado não possui, necessariamente, fidelidade com os acontecimentos históricos. O objetivo desta série de textos é chamar a atenção para os elementos reais da Bruxaria que foram utilizados como parte da construção da trama, e acreditamos que estes elementos são muitos. Pessoalmente, consideramos esta a melhor série já produzida sobre o tema “Bruxaria”, o que nos faz desconfiar que a produção do seriado trabalha com uma incrível consultoria de estudiosos, de fato, da bruxaria. Essa série de textos que se seguirá, tem o objetivo de ser uma provocação. Um convite ao abrir dos olhos. 

Contém spoilers...
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Sobre a Feitiçaria

Um dos panos de fundo do seriado é, obviamente, a prática de feitiçaria. Cenas de rituais e de invocações são uma constante, então encontramos ali um prato cheio de referências que “ecoam” certa familiaridade sob um olhar mais atento. Alguns exemplos, a seguir: 


No segundo episódio, o pastor Cotton Mather encontra no meio da floresta um vestígio de prática de bruxaria: um pedaço de mão humana repleta de desenhos estranhos. Sabemos que se trata da “Mão da Glória”. Na imagem, cheia de símbolos aleatórios, encontramos algumas referências astrológicas como os símbolos de Vênus e de Júpiter. Tradicionalmente, trata-se da mão de um criminoso, condenado à morte, preferencialmente enforcado. Após uma série de procedimentos que devem ser realizados a fim de preservar a mão, ela pode ser utilizada magicamente para assaltar residências a noite ou conceder o dom da invisibilidade, entre outros poderes associados a este fetiche. Folclórico ou não, o objeto está referenciado nos Três Livros de Filosofia Oculta de Agrippa.


Também no segundo episódio, vemos Mary Sibley entre murmúrios e orações, costurando uma boneca. Uma prática comumente associada ao Vodou, a magia com bonecas constitui um recurso de magia simpática (que opera por meio da semelhança) e é muito comum entre os praticantes do Ofício. Seu uso é duplo, como tudo na Arte: a partir do momento em que a boneca é associada a uma pessoa específica (pode ser o próprio Feiticeiro), pode ser usada para curar, através da administração de ervas, óleos ou aromas associados à cura; ou também para amaldiçoar, por procedimentos semelhantes e também através de amarrações ou espetadas de alfinetes.


Ainda na primeira temporada Mary Sibley novamente faz conjurações de frente para o fogo. Um dos quatro elementos básicos (junto à agua, ao ar e a terra) o fogo muito comumente está associado tanto aos poderes da transformação, da transmutação e da metamorfose como também está relacionado ao simbolismo sagrado do espírito dos Ancestrais e dos Antepassados. Dentre outras analogias, está relacionado ao espírito da Bruxa (sua parte eterna) ou mesmo à presença dos Deuses ou dos Espíritos nos rituais.

Sangue, Sexo e Poder



Outros dois aspectos interessantes que aparecem na trama e estão completamente de acordo com as práticas de bruxas reais é o uso do sangue e a excitação sexual. Em diversos momentos da série, as bruxas oferecem não só o sangue de sacrifícios, como o próprio sangue delas em feitiços. Na imagem acima, Mary dá uma gota do óleo que proporciona o vôo noturno ao dr. Samuel Wainwright para que ambos “voassem” para o Sabá. Em outra ocasião, Tituba diz para Mary:

“Palavras sem sangue são nada além de ar”.

Sacrifícios de animais estão presentes em diversas vertentes de Bruxaria, assim como em vários cultos de origem africana. O uso do próprio sangue então, é mais comum ainda como uma forma de dar vida e poder para os feitiços, de unir e atar ou mesmo de selar pactos/juramentos.

Na segunda temporada, Mary Sibley diz para Anne Hale:

“Não há magia sem excitação”.

Outro conceito verdadeiramente Bruxo, tanto a Arte Moderna como a Tradicional concordam nisso. Na Wicca isso é claramente visto em seu Grande Rito (não confundir com o Grande Rito da série) presente na Iniciação de 3º Grau e em outros rituais religiosos da mesma. Nos ramos da Bruxaria Tradicional, a excitação e o orgasmo estão presentes em centenas de práticas, como por exemplo, na geração de um familiar. Austin O. Spare, feiticeiro renomado, ensina uma fórmula para gerar familiares que inclui a excitação como geração de poder e o orgasmo como ponto-quente do intento. Uma curiosidade, Spare dizia ter aprendido sua Arte Sabbática com uma senhora chamada Sra. Patterson, que se dizia descendente das bruxas da região de Salem – se isso é verdade ou não, não podemos afirmar, mas é uma curiosidade interessante já que estamos falando deste seriado.

Recentemente veio à público através da Xoanon, a publicação do The Dragon-Book of Essex de Andrew Chumbley. O procedimento inicial para a execução de todo o ciclo ritual do grimoire, o próprio “Pacto com o Diabo” deste ciclo ritual, chamado de Rito de Ka, é um procedimento que envolve diariamente num período de 28 dias, o uso da excitação sexual, orgasmo e oferenda do próprio sangue do feiticeiro em um vaso chamado de “Vaso Matrimonial” que posteriormente será queimado no Solstício de Inverno e de suas cinzas nascerá o Vaso do Dragão, a urna-fetiche que é a própria incorporação física da Deidade Draconiana e veículo entre o Ser e o Outro, entre o feiticeiro e a sua divindade. Um exemplo típico do uso de excitação e sangue como forma de gerar poder.

Sobre os Encantamentos 

Diversos encantamentos recitados pelas bruxas da série são rimados. Um dos motivos pelos quais a sonoridade rimada é preferida pelos Feiticeiros é que ela favorece a memorização e, logo, aumenta o poder de concentração e foco na operação ritual, o que tanto diminui a possibilidade do Mago de esquecer a fórmula ritual quanto dispensa-o de usar livros ou papeis para leitura, o que pode atrapalhar no desenvolvimento do rito. Isso é de fato real tanto na Bruxaria Tradicional quanto na Wicca. Eis um exemplo de um dos primeiros encantamentos que elas utilizam na série (em inglês, para não perder a sonoridade da rima):

"One, two, three, and four.
Raise the devil to our door.
Call the Pig, the Wolf, the Ram.
Come to the circle, all who can.
Make him walk on floor to roof.
Drink to him with horn and hoof.
One, two, three, and four.
The devil is here. Now sleep no more". 


(Um, dois, três e quatro; Surge o diabo do lado de fora; Chamem o Porco, o Lobo e o Carneiro; Venham para o círculo, todos que puderem; Façam-no andar do chão até o teto; Bebam para ele, com chifre e casco; Um, dois, três e quatro. O diabo está aqui. Agora ninguém dorme).

Encantos em latim também são utilizados pelas bruxas da série e pelas reais. É muito comum, por exemplo na Arte Tradicional a utilização de salmos bíblicos em latim, para os mais variados usos, de proteção e bênção até maldição e pragas.

O Deus das Bruxas: O Diabo?


Logo no início da série não fica claro, qual é a “divindade” associada ao culto das bruxas. As imagens acima são de flashes que aparecem no primeiro episódio. Ali é possível encontramos os símbolos do chifre, dos pelos animalescos no corpo e dos pés de bode. Em outros episódios, no entanto, também em formato de flashes, outras imagens podem ser percebidas. 

Trata-se de Pã? Ou do próprio Demônio? Se, neste caso, elas cultuam o próprio Satã, trata-se do mesmo Satã que é retratado pelos puritanos ou mesmo pelos católicos? Ou seria uma diferente “versão” desta figura? 

No decorrer da primeira temporada, Tituba o chama pelo nome de Kanaima, quando é torturada pelo inquisidor Increase Mather no episódio House of Pain. De acordo com ela, Kanaima é um deus “pagão” da natureza e selvageria. Tituba também diz que ela aprendeu sua bruxaria diretamente com Kanaima, o que é um fato interessante, visto que muitas bruxas do que se convencionou chamar de “Bruxaria Tradicional” clamam exatamente o mesmo. Entre os diversos exemplos conhecidos, podemos citar o Toad-Rite, um certo rito inglês no qual havendo o sucesso em sua conclusão, a bruxa recebe o poder e o conhecimento diretamente do próprio Diabo – para compreender melhor o assunto, clique aqui

De fato, o nome Kanaima provém de um tipo de espírito do folclore caribenho, um espírito da vingança que por vezes possui humanos e/ou animais para atacar e matar suas vítimas como retaliação por alguma injustiça. E por curiosidade, o nome se assemelha muito ao nome Karnayna, como o Deus das Bruxas é chamado dentro da Tradição Alexandrina de Wicca, e variações deste mesmo nome são conhecidas em grupos tradicionais.



Se por um lado muitos ramos da Bruxaria, na atualidade (principalmente na Wicca), estão muito ligados ao paganismo e procuram retratar os seus deuses à maneira antiga, pré-cristã, e por isso encontram certa resistência em ver no Diabo uma face do Deus das Bruxas; por outro lado, existem grupos “tradicionais” que não sentem a necessidade de distanciarem-se do cristianismo, e conseguem observar, também no corpus simbólico, teológico e ritualístico do cristianismo, um “meio” de transmissão pelo qual as Máscaras dos seus Deuses estão presentes. 

Assim como para muitas bruxas “tradicionais”, o Diabo é visto e percebido pelas bruxas da série como uma força antiga, indômita, atavística e de tempos imemoriais, que com o advento do Cristianismo passou a ser chamado de “o Diabo”, e portanto, passou a também “vestir” esta roupagem. E assim como as bruxas reais, as da série percebem o Chifrudo não como o mal absoluto conforme os cristãos o atribuem, mas sim como uma deidade indômita, que contém características benevolentes e malevolentes. Na segunda temporada, Mary Sibley se refere a ele com as seguintes palavras:

“Nem o mundo, a carne e nem o próprio diabo é como um traje puritano onde só há negro e branco. Tudo é cinza. E o diabo que eles temem não é o diabo que eu conheço”.

Também de acordo com a personagem Tituba, Kanaima é descrito como aquele que salva os exilados, os pobres, os proscritos, e demonstra que o mundo que ele quer criar é um mundo onde cada um e todos os párias da sociedade podem viver em harmonia, sem medo de julgamento ou perseguição. É interessante notar que Aradia também é vista dessa forma, conforme descrita por Charles Leland: uma Salvadora, em plena Idade Média, que liberta os camponeses da escravidão da Igreja. 

No primeiro episódio da segunda temporada, Cry Havoc, o Xamã que está cuidando de John Alden faz uma citação extremamente interessante sobre o “Deus das Bruxas”, que não só o associa com a forma totêmica da serpente, mas também o cita como um poder imenso que habita a terra. 

“A Terra e todas as coisas que vivem nela compartilham uma única forma invisível internamente. Como os ossos dentro de um homem. Mas este não é o osso, ele está vivo. Como uma grande Serpente invisível enrolada, dormindo no interior da Terra. Eles procuram acordá-lo. Eles acham que podem controlá-lo, mas ele vai destruí-los”.

Também na segunda temporada, a personagem Sebastian Von Marburg faz uma interessante citação ao médico Samuel Wainwright:

“Bem, vamos apenas dizer que existem superstições certeiras e contos de fadas verdadeiros. Como você vai aprender em breve, todo o conhecimento verdadeiro uma vez veio daquele que eles chamam de Diabo. Ele tentou, eras atrás, conceder esse conhecimento para um homem e uma mulher”.

Neste momento, Sebastian se refere à Serpente do Éden como a doadora do verdadeiro conhecimento, o que está completamente alinhado ao conhecimento e folclore de diversos ramos tradicionais da Arte, como a Tradição Sabbática por exemplo, onde todo o mito Edênico é percebido como uma cifra do conhecimento bruxo e do próprio surgimento da bruxaria.

A personagem da Condessa Von Marburg se refere ao Senhor das Trevas como “o Senhor Estelar”, o que também é por demais interessante, visto que em muitas Tradições e ramos da Bruxaria, o Chifrudo é tido também como o senhor das estrelas, e diversas constelações são atribuídas a ele, tal como a constelação de Orion.

A Transmissão do Conhecimento e a Iniciação 


No sexto episódio da primeira temporada (The Red Rose and the Briar), Mary está formalmente convidando Mercy Lewis a entrar para o seu Coven. Os autores da série decidiram customizar mais sua ‘mitologia’ utilizando o termo “hive”, ou colmeia, em lugar do termo mais comum Coven. Após certa resistência da jovem, acaba sendo persuadida, aceita o seu próprio lado “sombrio” e partir de então passa a exercitar a sua experiência Bruxa em uma nova “família” até que, gradualmente, passa a distanciar-se de Mary e se torna mais independente. 

Na vida “real” os Covens, ou Círculos, organizam-se de forma semelhante: novos membros são formalmente convidados e passam por um processo de adaptação e de treino. Algumas vezes, partem para trilhar suas próprias jornadas depois disso. 

Para além disso, se por um lado foi possível transmitir a sabedoria Feiticeira entre pessoas que, naturalmente, não pertenciam a uma mesma família sanguínea, por outro lado, mais adiante na história, vemos o caso de uma jovem que, para sua surpresa, se descobre uma Bruxa “hereditária” ao descobrir que o seu pai também é Bruxo. 


Quase no fim da temporada, no décimo primeiro episódio (Cat and Mouse), Anne Hale descobre que pertence a uma família de Feiticeiros. Na imagem, seu pai, o magistrado Hale, conta-lhe sobre a história dos seus Antepassados. A nova bruxa recusa a aceitar sua natureza, e seu desenvolvimento espiritual só é contado (de forma muito interessante) na segunda temporada. 

E, como já citamos acima, a personagem de Tituba diz ter recebido a transmissão de seu conhecimento bruxo através do próprio “Diabo”, que é de fato um dos meios pelo qual uma bruxa é instruída na Arte, diretamente de seu deus, o que é muito comum, principalmente entre as chamadas “bruxas solitárias”. 

Temos aqui, portanto, as três formas costumeiras pelas quais o Saber Bruxo é transmitido de geração a geração: pode ser tanto através da comunhão entre semelhantes, quanto pela transmissão dos conhecimentos restrito aos membros da família sanguínea ou, por fim, pela própria Divindade. 


No capítulo The Red Rose and the Briar, Mercy Lewis é formalmente iniciada, e ali podemos encontrar uma série de elementos recorrentes com a Bruxaria “real”. Mercy é, primeiramente, levada até o local da Iniciação pela sua tutora. Esse acompanhamento é profundamente simbólico onde, na Wicca, por exemplo, Os Iniciadores sempre guiam os Iniciados pelo Círculo e ajudam-nos a caminhar. Mercy está nua, e um dos textos sagrados da Wicca deixa claro, onde a própria Deusa teria dito: 

“E em sinal de que são verdadeiramente livres, estarão nus em Meus ritos”. 

Por fim, o próprio Diabo está presente no ritual. A bruxa novata encontra-se com o horror, com o espanto e com o medo. Como Bruxa Iniciada, ela aprende que isso não está fora, mas inicialmente dentro dela própria. 

Há um ditado que diz “a bruxa nasce, a feiticeira se faz”. Ele está relacionado à crença de que as bruxas nascem bruxas, portando o sangue-bruxo, seja por hereditariedade direta ou linear, seja pelo nascimento de uma bruxa após gerações. Já, quando o indivíduo passa a estudar, aprender e praticar os procedimentos da Arte Bruxa, o conhecimento operacional, é dito que “a feiticeira se faz”. Isso também está implícito na série, como por exemplo na personagem Anne Hale, que nasceu bruxa e só após descobrir essa verdade, passa a “se fazer feiticeira”.

Os Familiares



Os animais ditos “familiares” são espíritos que tradicionalmente são tidos como auxiliares mágicos das Bruxas. Esses espíritos, por vezes, são desencarnados, mas em certas ocasiões também podem encarnar (através de uma série de procedimentos rituais específicos) em um animal de estimação da Feiticeira. Algumas vezes eles são alimentados através de uma “marca”. Essas marcas, algumas vezes chamadas de “marcas do Diabo” são descritas em manuais de Inquisidores tanto medievais quanto modernos. Segundo a Tradição, devem ser alimentados com o próprio sangue do Feiticeiro como uma forma de fortalecer o laço entre o Mago, ou a Bruxa, e o Espírito em questão.

Cotidianamente eles podem auxiliar em métodos divinatórios, por exemplo, ao “escolherem” cartas ou runas nas ocasiões oraculares. 


No caso de Mary Sibley, seu animal familiar é um sapo. Já o animal de Tituba é uma aranha. É interessante notar que geralmente são animais associados à noite ou ao “sujo” e ao “perigoso”. De fato, a maioria dos animais atribuídos como “familiares” das bruxas tem características e correspondências principalmente com os planetas Saturno e Lua, da Astrologia, ambas potências planetárias extremamente relacionadas com a figura da bruxa.

Mais sobre Familiares pode ser lido aqui.

Quem são as "Bruxas de Essex"? 


Essex é citado vagamente durante a primeira temporada, e diversas vezes durante a segunda. Trata-se de um condado que situa-se na região leste da Inglaterra. Esta região é repleta de folclore sobre bruxas, cunning men e feiticeiros. Foi um dos locais onde o famoso caçador de bruxas Matthew Hopkins acusou mais de vinte mulheres de bruxaria em 1645. Nesta região, aproximadamente 800 pessoas foram acusadas e mortas no período que vai de 1560 até 1675.

O atual Massachusetts situa-se no local chamado “Essex Country” na Nova Inglaterra (hoje, Estados Unidos). Salem é considerada historicamente como o mais significativo porto marinho da História dos Puritanos na América.

Na série, as bruxas de Salem são as descendentes das bruxas de Essex, sendo as Anciãs da floresta, justamente aquelas que vieram deste condado da Inglaterra para o Novo Mundo. 
É interessante, pois há ainda hoje muito folclore bruxo naquela região do Velho Mundo. Um dos mais famosos Cunning Men conhecido pela História, James Murrell (1785-1860) nasceu e viveu em Essex (falaremos mais sobre este Cunning Man quando analisarmos a personagem Petrus da série). Andrew D. Chumbley, famoso e conceituado escritor de Bruxaria Tradicional, nasceu e viveu na cidade de Chelmsford, Essex. Até mesmo Gerald Gardner, pai da Bruxaria Moderna, diz ser descendente de uma bruxa de nome Alice Gardiner, um dos tantos nomes que figuram entre os acusados de bruxaria desta região inglesa.

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Como o seriado contém muitos detalhes, as vezes até minuciosos, referentes ao que chamamos aqui de Bruxaria “real”, este artigo será dividido em mais de uma parte, pois um texto somente se tornaria extenso demais. Falaremos ainda sobre as “marcas” das Bruxas, sobre Astrologia, Objetos Mágicos, Exorcismo, Necromancia, Cunning Men, Marginalidade, o Sabbat e o Voo Noturno, e muitos outros temas que aparecem no seriado. 

Desejamos a todos os leitores uma excelente Dança no Sabbat das Eras, nas obscuras florestas, no cortejo do Chifrudo... seja ele Kanaima, Karnayna, Pã, Cernunnos ou o próprio Diabo! Evoi Sabbai!


"Terra sunt carnes et ossa. Domini est terra et ossa. Terra sunt carnes et ossa. Domini est terra et ossa. Et nos unum benedictus". 

(A Terra é carne e osso. O Senhor é carne e osso. A Terra é carne e osso. O Senhor é carne e osso. E nós somos um, abençoados).

Leia também: 


11 comentários:

Samuel Ramos Ortiz disse...

Você não sabe o quanto estava querendo este tipo de material! Fico feliz e em breve lerei esta parceria, Odir.

Wagner Perico disse...

Parabéns pelo ótimo texto e análise!

Filipi Kasmirz disse...

Fantástico, aguardo ansiosamente por mais material!
O alinhamento dos elementos da série e a relação que é feita com a bruxaria se encaixam perfeitamente. Parabéns!

Sharon Amaro disse...

Fantastico espero pela 2 parte ;)

gabriela Amarello disse...

É simplesmente maravilhoso ler uma análise tão cuidadosa e fluida sobre um assunto tão rico como a Arte. Pra quem assiste Salem e também pratica Bruxaria muitos ecos e referências são captados, mas é um luxo imenso poder ler um texto tão bem feito!!! Parabéns : )

Iohan disse...

Um dos aspectos que mais aprecio no seriado é como o tema "ética" é tratado de forma difusa, e as bruxas, não são tidas como "malévolas" mas "certas" dentro de sua visão de criar um mundo sem sofrimento e perseguição aos seus.

Anônimo disse...

Ótima análise! Gostei muito!!!

Pam Viana disse...

Eu vinha procurando ha um bom tempo justamente o conteúdo da sua analise, que e excelente por sinal. Aguardando ansiosamente pela parte 2.

Debora Ceccacci disse...

Texto maravilhoso.

Escura Clareira disse...

Gostaria de poder ler as partes que você deixa o link. Como posso fazer para poder ler?

Ben Oliveira disse...

Salem é uma das minhas séries favoritas com a temática bruxaria.
Adorei ver essas relações com a grande arte. Aprender nunca é demais!
Abraço