Livros clássicos

Atenção: Esta lista não é definitiva, logo, estando em constante modificação e com novos itens a serem acrescentados. Os links para download servem para visualização, sempre que puder, compre-os e tenha os livros na sua estante!
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Ilíada (Homero, cerca de VIII A.E.C.) 


Vaso grego retratado a cena de Aquiles e Pátroclo.
Cerca de 500 A.E.C.
O título vem de Ilíon (Tróia). Poema épico atribuído a Homero, trata dos acontecimentos que decorrem e envolvem a Guerra de Tróia. É uma leitura que envolve a complexidade da natureza humana bem como das relações do homem com o mundo dos deuses. Aquiles é a personificação do homem grego que busca o sentido heróico da sua vida, trazendo consigo o conceito de hybris (o que passa da medida, algo descomedido): que frente aos conselhos de sua mãe, Tétis, escolhe morrer jovem e ser lembrado pela História do que viver uma vida pacífica com uma esposa e filhos, e morrer com idade avançada, sendo esquecido por isso. O conceito de sophrosyne (prudência, autocontrole, moderação) é materializado na figura apolínea de Heitor, príncipe de Tróia e inimigo de Aquiles.

Valores como a honra, a amizade e a guerra, bem como das consequências dessas relações são tratadas com maestria por Homero – ou por quem quer que tenha compilado essas histórias, afinal, até hoje não existe consenso se tal obra pode ser atribuída ao nome que comumente atribuímos. A epopéia de Tróia, mais do que conflituar gregos e troianos, rompe com os interesses dos próprios deuses onde também divergem por vezes. Não deixa de ser uma obra contemporânea. 
 
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A Odisseia (Homero, cerca de VIII A.E.C.)



Vaso grego retratando a cena de Circe e Ulisses.
Data desconhecida. 
Assim como a Ilíada, a Odisséia é comumente atribuída a Homero. Após a queda de Tróia, que levou aproximadamente dez anos, Ulisses (Odisseu em grego) tem por objetivo retornar à sua pátria, Ítaca. Desejo que ainda alcança com dificuldade, pois levará cerca de ainda mais dez anos para voltar ao lugar onde reina. A história da Odisséia se passa nesse período pós-queda de Tróia e retorno de Ulisses a Ítaca.

Hoje, uma “Odisséia” é sinônimo de um processo longo, trabalhoso, uma aventura cercada de maravilhas e coisas impressionantes. Caracterizada por uma interessante não-linearidade, a obra nos impressiona com seus detalhes e sua beleza. Atena discute com Zeus sobre o destino do herói, muitas vezes colocando-o a seu favor, em contragosto de Posseidon, que ao longo das viagens marítimas de Ulisses, muito faz para vê-lo submerso no fundo das águas. Enquanto isso, em Ítaca, Telêmaco filho de Ulisses, instigado pela própria Atena, insiste em procurar pelo pai após suas duas décadas de ausência. Nesse tempo, por muito anos tornara-se prisioneiro da ninfa Calipso, e somente com a intercessão de Hermes, alcança a liberdade. Frente a seguintes tempestades e outros naufrágios, é aprisionado pelo ciclope Polifermo e mais tarde também tem seus companheiros transformados em animais pela feiticeira Circe. Costeiam pela terra das sereias e também encontram deuses marinhos no percurso.

Depois de muito trabalho, Ulisses consegue alcançar Ítaca, e chegando lá, ainda tem de proteger sua esposa Penélope que insistentemente manteve-se fiel ao longo desses anos recusando as investidas da sua centena de pretendentes, que transformaram o reino de Ulisses numa barbárie. Penélope é o exemplo de mulher grega, enquanto que a jornada de Ulisses é a própria jornada do Herói, fortemente caracterizado pelo ideal de sophrosyne.

Assim como na Ilíada, também na Odisséia, Homero mostrará de que maneira os deuses intervém nas ações humanas, e de que forma são desrespeitados por nossa hybris.

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A Divina Comédia (Dante Alighieri, 1304-1321)

O Paraíso, de Gustave Doré, séc. XIX.

Inicialmente chamado “Comédia”, a Divina Comédia é obra essencial para compreender o paganismo e seus elementos de permanências, transformações, adaptação e longaduração. A obra de Dante é exemplo de uma estrutura mental e cosmovisão do mundo medieval, trazendo por si só elementos do mundo Antigo com uma estrutura lingüística moderna, sendo assim uma obra histórica – e até historiográfica, de certa forma – rica e muito plural.

É dividida em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. Dante desce aos infernos e encontra Virgílio, poeta da Antiguidade. O primeiro livro é carregado de simbolismo clássico: Ao longo dos círculos infernais encontram o barqueiro Carontes que atravessava a alma dos mortos, Cérbero que guarda a entrada, bem como as Fúrias e a Medusa. Numa perspectiva cristã, encontram-se no Inferno aqueles que desconheceram a fé católica bem como os demais pecadores como os avarentos, insolentes, luxuriosos, violentos e os que vão contra a natureza.  

No Purgatório, Dante ainda segue com Ovídio que desde o inferno lhe explica o que acontece nas esferas abaixo do Paraíso. Encontram São Pedro na entrada, bem como ao longo do Purgatório aqueles que se arrependeram dos seus pecados tardiamente. Cada um dos sete círculos correspondem aos sete pecados capitais.  

Chegando ao Paraíso, Ovídio não deve passar por ter sido pagão. Dante passa a ser guiado por Beatriz, seu grande amor terreno. Os círculos celestes distribuem-se ao longo da Terra, sendo cada círculo pertencente a um planeta (Lua, Mercúrio, Vênus, Sol etc.) A Nona Esfera encontram-se os Anjos e sua morada celeste. Na última morada, Beatriz também não pode passar devido a hierarquia cósmica, e com a ajuda de São Bernardo, Dante finalmente conhece Deus e termina a obra explicando que palavra alguma poderia explicar o que encontrou.

A Divina Comédia é uma obra que trata de um processo iniciático no que toca às aspirações humanas de situar-se e compreender o Cosmos. Também um exemplo de complementariedade de paganismo e cristianismo. 

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Os Lusíadas (Camões, 1556).

Capa da primeira edição, de 1572.
A bagagem de Camões é facilmente encontrada em Homero. Sua estrutura e seu estilo na epopéia serão, sem dificuldades, influência da Odisséia e da Ilíada. A obra defende a descendência do povo português de Luso, sendo assim, herdeira por direito da cultura, das artes e da bravura romana. E como tal, será Vasco da Gama o herói e descobridor do mundo moderno, bem como fora Ulisses no passado.

Os Lusíadas é um misto de paganismo e cristianismo. Enquanto que a fé cristã e católica é defendida como um ideal a ser seguido – pois boa parte da obra trata das cruzadas contra os mouros, ou infiéis –, ainda assim, os deuses olímpicos permanecem presentes intervindo a favor e contra os portugueses em suas jornadas. Baco será o vilão dos Lusíadas, acreditando que caso suas vitórias fossem exaltadas como em tempos antigos, as grandezas próprias daquele tempo seriam esquecidas. Já Vênus, os observa como herdeiros dos seus queridos romanos, e sabe que será reconhecida por eles.

Os Lusíadas é importante pois vem a legitimar uma ascendência cultural clássica, serve como obra de arte que vem a enraizar uma mentalidade baseada no heroísmo e no progresso que, como já fora belamente ilustrado por Camões, não perdem para os feitos da Antiguidade. Sem dúvida serve como oferenda aos nossos ancestrais.

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Sonho de uma Noite de Verão (Shakespeare, cerca de 1594-1596)



"As Núpcias de Oberon e Titânia", de Sir Jacob Noel
Paton, 1849. 
Enquanto que não é com dificuldades que a tragédia de Macbeth de Shakespeare traz importantes elementos do mundo bruxo-feiticeiro, a comédia Sonho de uma Noite de Verão traz importantes elementos do paganismo e do mundo clássico. 

Dois casais (Hermia e Lisandro, bem como Demétrio e Helena) que em uma série de contratempos refugiam-se em uma floresta na noite do solstício de verão, encontram interessantes seres do mundo mágico que travam contato com o grupo humano, aprontando-lhes uma série de outros contratempos propositalmente como forma de divertimento por vezes. Oberon, rei das Fadas está brigado com Titânia, sua rainha, e com o auxílio do sátiro Puck, cria uma poção mágica que fará com que qualquer humano que bebê-la, apaixonar-se-á pelo primeiro que ver, causando então uma troca de casais – sem dificuldades lembremo-nos, então, do infante Eros. 

Concomitante a isso, também quatro atores principiantes encontram-se na mesma floresta ensaiando uma peça – ou seja, é uma história dentro da história. Oberon dá orelhas de burro a um dos mortais, fazendo o mesmo com sua esposa, a rainha Titânia, deixando que esposa fada se apaixonasse pelo mortal, rompendo então com o seu plano inicial que era tão somente de ridicularizá-la – aqui também lembremo-nos do episódio em que Apolo dá a Midas orelhas de burro por desafiá-lo em uma competição musical. Depois de algum tempo, então, as coisas voltam ao normal e os casais vivem felizes para sempre.

Sonho de uma Noite de Verão é um mito sabático de uma noite de solstício, uma fuga à realidade cotidiana e de um mundo moderno, materialista e cartesiano. 


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Macbeth (Shakespeare, cerca de 1603-1607) 

"Lady Macbeth" de Johann
Heinrich Füssli, 1781-1784.
Sem dúvida minha obra preferida de Shakespeare, pois traz uma série de elementos do mundo bruxesco e feiticeiro de maneira muito interessante.

A história começa com as Três Bruxas que anunciam a história em sua pequena casa isolada na floresta, em seguida, frente a suas apresentações, conferindo a Macbeth e Duncan, rei da Escócia, profecias sobre o futuro que se seguirá. Macbeth então general do exército de Duncan, persuadido pela esposa, Lady Macbeth, mata Duncan tornando-se rei, mais tarde também assassinando Banquo, seu amigo que desconfiara dos assassinatos. A história continua com o tormento do arrependimento que acometera Macbeth e sua mulher, que em célebre momento, durante a noite, sonâmbula, perambula pela casa lavando manchas imaginárias de sangue na tentativa de esconder o crime cuja lembrança lhes acompanharia até a morte, bem como visões de fantasmas que também acometeriam ao então rei da Escócia. 

Particularmente Lady Macbeth possui típicas características da mulher demoníaca, ainda que em momento algum seja chamada dessa forma ou reconhecida como bruxa. Sozinha, clama em certo momento: “Acorrei, espíritos que velais sobre os pensamentos mortais!… Fazei com que eu transborde da mais implacável crueldade… Convertei meu leite em fel, vós, gênios do crime, do lugar de onde presidis, sob substâncias invisíveis, a hora de fazer o mal! Vem, noite tenebrosa!… Envolve-me com a mais sombria fumaça do inferno!…”
 
A aparição de Hécate frente aos chamados das Três Bruxas também é igualmente interessante, cujo vôo pelos ares e a ligação com os ritos noturnos e secretos sob a lua também se fazem presente, perpetuando o folclore da bruxa medieval. Em certo momento, dentro de uma caverna e à volta de um caldeirão, Hamlet as questiona sobre o que fazem à meia noite. Sem dificuldade, respondem em coro, junto a Hécate: “Algo sem nome”. Fantástico. 

As Bruxas aqui perpetuam suas interessantes atribuições típicas da literatura: o organismo social marginal e periférico que professa o destino ao seu herói (nesse caso anti-herói), mas que devido à presunção humana, e a não-compreensão das mensagens do sobre-humano, corre à sua própria queda. 


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A Tempestade (Shakespeare, cerca de 1611)

Xilogravura retratando Próspero, o Mago, 
sua filha Miranda e o monstro Calibã.
Fonte desconhecida.
Uma das minhas opiniões no que toca a transição paganismo-cristianismo, na qual já tive a oportunidade de escrever mais uma vez aqui no blog, está vinculada à noção que as representações artísticas ao longo da história serviram como um “fio” de ligação do paganismo do mundo antigo, passando pelo medievo e pelo moderno até chegar aos dias atuais. 

Aqui, a arte como pintura, escultura, literatura e também como teatro. Nesse último sentido, penso que Shakespeare é o melhor autor para demonstrar isso. Já falamos sobre o Sonho de uma Noite de Verão Macbeth. Falemos agora de A Tempestade.

Encenada pela primeira vez em 1611 é tida como uma das últimas obras do autor. E por isso é um símbolo de profundidade e maturidade. Conta a história de Próspero, duque de Milão que foi deposto do seu poder e exilado em uma ilha deserta com sua filha, Miranda. Próspero é um mago e um leitor assíduo de uma vasta biblioteca sobre ciências ocultas. Conhecimento, inclusive, que prendera tanto sua dedicação que descuidou-se das tramas políticas do seu irmão, Antônio, que aliou-se a Alonso, rei de Nápoles. Ambos usurpam o poder de Próspero, deixam-no em uma ilha deserta e lá, ao longo dos anos, trama sua vingança. Anos depois, quando esses e outros homens partem em viagem, Próspero toma conhecimento disso pelos dos espíritos que lhe servem. Conjura uma tempestade e faz com que eles cheguem à ilha. A história desenvolve-se a partir disso. 

O modelo de magia de Próspero é, evidentemente, a magia cerimonial: ele invoca e domina certos espíritos, superiores e inferiores, que exercem sua vontade. Em certo momento, aprisiona os invasores em um círculo mágico. Na ficção é um homem da corte, e isso é o suficiente para lembrarmo-nos que a magia também era um conhecimento intelectualizado, letrado e de elite. Importantes magos ao longo da história estiveram diretamente vinculado aos favores de grandes reis, como Agrippa e Rasputin por exemplo. Por vezes estudamos tanto sobre em bruxaria e sobre as práticas marginais das feiticeiras das aldeias que esquecemos dessa “outra face” histórica da magia que permitiu que ela também chegasse até nós.

Na obra de Shakespeare, é Próspero quem conduz toda a trama. E não é isso o que um Mago faz? Construir a trama da sua própria existência? Na história, também temos Calibã, filho de uma bruxa que também residia na ilha até a chegada de Próspero, que mata a feiticeira e domestica o monstro que era seu filho. Enquanto que Próspero aqui representa a sabedoria e a ciência divina, o monstro Calibã representa justamente o contrário: o homem profano, mortal, submisso aos dogmas e valores terrenos. Um mostro cuja feiura não é só física, mas também uma metáfora para a pequenez de espírito. Calibã só sabe servir, como o homem que só serve a Deus, mas não se vê como divino.

Próspero tem por espírito fiel Ariel que serve-lhe a todo o instante visando sua liberdade. Outros seres espirituais aparecem ao longo da história como Iris, que anuncia a presença de Ceres que traz consigo o poder de prosperidade e fertilidade da natureza em um casamento.  Sobre a efemeridade das coisas, ele confessa:
“E tal como o grosseiro substrato desta vista, as torres que se elevam para as nuvens, os palácios altivos, as igrejas majestosas e o próprio globo imenso, com tudo o que contém, hão de sumir-se (...) sem deixarem vestígio. Somos feito da matéria dos sonhos, nossa vida pequenina é cercada pelo sono”.
No final da história Próspero conclui sua vingança, mas também abandona sua magia, considerando-a “negra”. Por ora, na falta de um argumento melhor, fico me perguntando se esse detalhe final na história não seria ideia de algum sensor. Afinal, não seria muito educado ver uma peça de teatro do começo do séc. XVII terminar com um elogio a prática da magia. 

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Fausto (Goethe, 1806). 

Panfleto antigo, em alemão, da
peça de Fausto. Data desconhecida.
De certa forma, semelhante a Divina Comédia, Fausto também é um exemplo das aspirações humanas no que tocam ao sagrado e ao divino. Sendo símbolo da Modernidade, o poema de caráter épico conta a história de Fausto, sábio que já atingira o conhecimento de todas as coisas humanas e celestiais no que era possível ao homem do seu tempo. Tendo ciência da sai incompletude, não dando-se por satisfeito, Fausto invoca o demônio Mefistófeles e compactua-se com ele, oferecendo sua alma em troca do conhecimento daquilo que não lhe fora mostrado através da limitada vivência humana. 

Mefisto então, ao longo dos 24 anos que serviria a Fausto, mostra ao seu senhor tudo aquilo que ainda não lhe era conhecido em sua vida humana. Depois disso, Mefisto poderia levaria consigo a alma de Fausto como sua. Particularmente gosto do momento em que Fausto é levado à Cozinha da Bruxa. Lá, despreza a feiticeira como uma velha ignorante e supersticiosa, mas que ao tomar a bebida que lhe é oferecida, atinge sua mais uma vez sua juventude e, logo, seu vigor de tempos passados, desejando ardentemente viver as delícias do mundo. Mais tarde conhece o frenesi do sabá das feiticeiras e seus respectivos excessos. 

Ao longo da história, por fim, conhece Margarida – a metáfora da beleza divina e da pureza. Tenta corromper-lhe com a ajuda de Mefisto, mas sem sucesso. Mata-lhe a mãe, bem como ao irmão em um duelo que tentará, em vão, defender a castidade da irmã. Margarida mais tarde, em um momento de loucura, mata o próprio filho. Levada ao cárcere, a história acaba no momento em que morre Margarida, ouvindo vozes “do alto” dizendo que está salva. Fausto segue com Mefisto em sua busca. 

Fausto é um clássico da literatura mundial justamente por, dentre outras razões, tratar com maestria a aspiração histórica do homem que rompe com os conhecimentos tradicionais em troca de um mundo Moderno, mas que em conseqüência, também admite sua perdição.

Para ler: clique aqui, pelo Cultura Brasil.

Demian (Herman Hesse, 1919). 



Uma das mais emblemáticas das capas
dessa obra de Herman Hesse, em inglês.
Editora não encontrada.
Depois que conhreci a obra graças a indicação de um amigo, Demian do Hesse virou o meu livro de cabeceira.

O livro conta a história de Sinclair, iniciando na sua infância até certo momento da sua vida adulta. Sinclair é um jovem burguês que vive na pacificidade do seu lar, o que metaforicamente o autor descreve como um um "mundo de luz" ou até mesmo "ilusório". Ainda durante a sua infância, Sinclair conhece Demian, um pouco mais velho que ele, rapaz que servirá como uma espécie de guia espiritual ao longo dos próximos anos da sua vida. Ainda que Demian viva afastado do protagonista também por muito tempo ao longo da história, o personagem que dá nome à obra servirá, direta ou indiretamente, como "guru" do Peregrinho que é Demian.


Sem entrar em muitos detalhes para não estragar o mistério da obra, poderíamos resumir, ainda que a grossas linhas, que de forma simplesmente genial, o livro retrata um processo de Iniciação que levou vários anos ao longo da juventude de um Peregrino. Que, a duras penas, aprende a se divorciar do rebanho e viver os seus sonhos por si mesmo, recebendo a marca de Caim na testa por conseguir ser seu próprio assassino - matando, então, o seu Eu profano. Sinclair descobre que ao longo da sua jornada, o "ilusório" do mundo profano tornou-se contrastado com o real do mundo espiritual.


O romance faz muitas referências à mitologia bíblica, quando é o caso por exemplo dos episódios de Caim e Abel ou do Calvário, mas também faz referência ao deus Abraxas, dos gnósticos. Aqui, esse último representando perfeição e a dualidade do bem e do mal convivendo em perfeita harmonia. Essa dualidade maniqueísta, a evolução espiritual sobre a realidade profana e até as críticas às instituições da família, da Igreja e do Estado são temas-chave dessa riquíssima obra.


Recomendado pra quem gosta de arte, literatura e/ou paganismo. Pra quem gosta dos três, é leitura obrigatória.


Para ler: clique aqui, pela Biblioteca da PUC de Campinas.

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"Muitos não sabem quanto tempo e fadiga custa a aprender a ler. Trabalhei nisso 80 anos e não posso dizer que o tenha conseguido."


Goethe

3 comentários:

Leonardo Chioda disse...

Finalmente uma lista digna sobre os livros essenciais para todo e qualquer pagão. A literatura tem sido a fonte de magia menos explorada, infelizmente. Parabéns, Diannus, ótimo blog! Vou seguir também.

Abraço,

L.

Înha's disse...

Boas indicações, acho que voce mirou bem onde deveria!
Amo Mecbeth!
Adorei o blog!

J.S Hayes disse...

Diannus, não acha que As Brumas de Avalon seriam uma sugestão legal?