Documentários

Atenção: A lista dos vídeos e documentários não é definitiva, logo, estando em constante modificação. A ordem dos curtas seguem o mesmo critério cronológico das outras páginas. Confiram!


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Abaixo, todos os filmes em ordem de lançamento:

María Sabina (Nicolás Echevarría, 1978)


Maria Sabina, Mujer Espíritu é um documentário de Nicolás Echevarría. Retrata o cotidiano mágico e feiticeiro da sábia tradicional do pequeno povoado Hautla de Jiménez, da Serra Mazateca, ao sul do México. 

Maria Sabina fala do seu uso de alucinógenos, da qual a região é conhecida por fornecer – com o tempo, a cada vez menos, conforme confessa a sábia. Nicolás acompanhou-a por alguns dias e presenciou suas práticas rituais, que envolvem essencialmente a crença nos espíritos da Montanha bem como referências aos santos católicos e aos “niños santos” que lhe auxiliam no trabalho mágico, ensinando-a frequentemente e lhe ajudando no diagnóstico das doenças daqueles que procuram a sábia. 

Maria Sabina não reconhece-se como bruxa ou feiticeira por tais palavras possuírem uma conotação pejorativa. “Em mim não há bruxaria” confessa certo momento. “Eu leio e sou intérprete dos santos (...). Sou filha de Deus e elegida para ser sábia. Eu sou o livro de verdades” também complementa sobre seu conhecimento, ainda que nunca tenha aprendido o espanhol ou a ler e escrever, falando somente seu idioma Mazateca. É documentário essencial para quem quer conhecer o verdadeiro espírito da Ancestralidade, da Tradição, bem como das permanências e da longa-duração de crenças de um povo verdadeiramente mágico, ainda que marginalizados por uma sociedade capitalista. Em espanhol.

Para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7, Parte 8 e Parte 9, totalizando 80min, pelo Youtube.

A Paisagem Mental de Alan Moore (Dez Vylenz, 2006)

Esse é um excelente documentário baseado sobre as opiniões do artista Alan Moore, criador de quadrinhos como Watchman, V de Vingança entre outros. Moore fala de questões complexas e muito pertinentes, tais como a cultura, a arte, o paganismo e a alienação humana.

Começa falando sobre sua infância problemática e como se interessou pela arte e pelos quadrinhos e como resolveu retratar, através dos quadrinhos de ficção, problemas do mundo atual e como isso pode ser uma interessante ferramenta de manifestação artística. Mais tarde fala sobre como se interessou pela magia e pelo xamanismo e suas percepções sobre o assunto. Fala Moore: 


“Creio que a magia é a arte, e que essa arte, seja a escrita, a música, a escultura ou qualquer outra forma é literalmente magia, sendo a arte uma ciência de manipular símbolos”.

Também comenta sobre a tendência natural do ser humano de caminhar para a ignorância e a alienação. Para Moore, a alma é algo precioso que deve ser valorizado. Também dá suas opiniões sobre o erotismo e a pornografia nos quadrinhos e sua experiência com “Lost Girls”.

Ao longo do comentário tece suas críticas ao monoteísmo e faz um elogio ao paganismo. 


“Tendo a pensar no paganismo como um tipo de alfabeto, linguagem, é como se todos os deuses fossem letras dessa linguagem. Elas expressam nuances, sombras de uma espécie de significado ou certas sutilezas de ideias. Enquanto que o monoteísmo é só uma vogal.”

As diferentes partes do documentário são intercaladas por cartas dos arcanos maiores do tarot que são desdobradas e que regem o assunto abordado por Moore. Ao final do documentário também dá suas opiniões sobre as conspirações e o futuro da humanidade. Sem dúvida, Moore é um gênio e particularmente confesso que passei, a saber, com melhor propriedade, sobre sua figura, através desse instigante documentário.

Vale a pena ser assistido.

Para assistir: Parte 1Parte 2Parte 3Parte 4Parte 5Parte 6Parte 7 e Parte 8, totalizando cerca de 85min, pelo Youtube. 

Rezadeiras de Boa Vista-PB (Belisario Franca, SESC, 2008)

Este interessante documentários sobre benzedeiras de Boa Vista do Paraná trata das suas concepções tradicionais acerca da cura, da ancestralidade e dos seus papéis sociais como benzedeiras. Falam acerca das suas práticas e das doenças mais corriqueiras que precisam curar através das suas práticas mágicas – conhecimentos, esses, que receberam de diferentes maneiras, mas que conciliam em alguns pontos: geralmente são conhecimentos passados oralmente, de tradição à tradição, e essencialmente femininos, ainda que hajam rezadores masculinos.

Através das rezadeiras de Boa Vista somos levados a confirmar muitas das nossas concepções tradicionais acerca da arte fluída: ainda que não reconheçam-se como bruxas (tal como a mexicana Maria Sabina), entendemos suas práticas como crenças essencialmente feiticeiras, com suas rezas, proteções, rituais e invocações aos santos católicos. Muitas das benzedeiras entrevistadas - senão todas elas - tem um santo ou uma santa específica de devoção, desenvolvendo uma espécie de sacerdócio pessoal. E não são diferentes disso: verdadeiras sacerdotisas.

Para assistir: Parte 1, Parte 2 e Parte 3, totalizando cerca de 30min, pelo Youtube.

A História das Coisas (com Annie Leonard, 2008)


Provavelmente já visto por muitos, mas vale colocar aqui para quem não conhece. A ativista Annie Leonard através de uma abordagem pedagógica e linguagem extremamente simples procura demonstrar através de uma série de exemplos a linearidade destrutiva do nosso sistema capitalista, cujos prejuízos são muito maiores do que muitos imaginam.
A história das Coisas é interessante pois rompe com o há muito falho discurso progressista de evolução, ascensão ou crescimento do intelecto ou cultura humana, em que muitos ainda fundamentam suas opiniões.
O pequeno documentário abre os olhos de quem assiste, de forma que, invariavelmente, passará a ver as coisas de outro modo. No final, após explicitar algumas falhas organizacionais da nossa sociedade, dá algumas sugestões a respeito da reciclagem e retorno de meios consumidos: o que vai totalmente a favor de uma mentalidade bruxa, feiticeira, pagã ou neopagã de circularidade, eterno retorno  ou uma visão “em espiral” do mundo.
Para assistir: Parte Única, pelo Youtube. 



Tarô, Ocultismo e Esoterismo (Por Mário Sérgio Cortella, 2008)


Essa é uma entrevista de grande qualidade mediada por Mário Sérgio Cortella realizada com Sérgio Padovan (Arhan) tarólogo e pesquisador ocultista, Silas Guerriero, mestre e doutor de antropologia e professor do núcleo de ciências da religião da PUCSP e autor do livro “Magia existe?” e Fábio Quioce, jornalista da Folha de São Paulo. A entrevista passa no quadro Conversas Impertinentes” da PUCSP e do SESCTV. 

Inicialmente, conversam sobre a diferença de esoterismo e exoterismo do ponto de vista conceitual, a estrutura do hermetismo e sua relação do tarot e sua relação com o ocultismo. Silas Guerriero comenta sobre a história da magia e como o estudo da ciências da religião trata do tema da magia do ponto de vista acadêmico. Debatem o conceito de “ciência” bem como e “ciências ocultas” citando Eliphas Lévi, bem como Fábio Quioce também questiona sobre o papel do oculto. Arhan defende seus conceitos de livre arbítrio e destino, julgando serem conceitos separáveis e sendo impossível a crença em ambos os conceitos ao mesmo tempo, por serem contraditórios por natureza, também comentando ao longo do programa um pouco da sua própria experiência no campo do o culto e no campo das ciências exatas. 

Mais tarde relacionam o simbólico e a psicanálise do mundo contemporâneo interligando-os à magia e a feitiçaria. No que toca às possibilidades de erro do tarot, Arhan também comenta sobre a questão da probabilidade e o uso do tarot na vida pessoal. A entrevista seguir-se-á de modo muito interessante, cabendo aqui dar somente introduções sobre uma infinidade de assuntos que serão tratados com seriedade e respeito.

Para assistir: Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7 e Parte 8, totalizando cerca de 70min. Pelo Youtube. 


Diferentes visões sobre a morte (Arévalo, Bernardes e Schilling, 2009)

Este pequeno documentário fala sobre as diversas visões religiosas sobre o post-mortem. Aborda de maneira muito interessante algumas das concepções cristãs sobre o assunto, bem como sobre a cosmovisão budista, do paganismo – sobre o qual eu comento algumas palavras – e do pensamento afro-brasileiro.

Para os evangélicos, a Morte é um descanso para uma posterior ressureição cuja aceitação de Jesus é preponderante para a Salvação. Para o Espiritismo, a desencarnação é uma libertação cuja existência continua após a morte física, ou material. Conforme o depoimento budista, lembramos da noção de karma como um tipo de continuidade das existências anteriores. No caso da Wicca, são doutrinas reencarnacionistas como outras já abordadas, mas o conceito de reencarnação difere nos conceitos de evolução: para algumas doutrinas do neopaganismo, a suscessão das vidas dá-se em caráter de transformação e mudança, não de evolução. Por fim, para uma concepção tradicional africana, a vida é boa e não vista como sofrimento: a morte seria o fim de um ciclo.

Para assistir: Parte Única, totalizando pouco menos de 5min, pelo Youtube.


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